O Banco Central divulgou nesta manhã o box do Relatório de Política Monetária, que detalha a extensão do choque do petróleo sobre a economia, evidenciando seu impacto progressivo nos custos de transporte, nas cadeias produtivas e na inflação.
Contexto Institucional e Evolução dos Indicadores de Preços
O relatório, publicado com base em dados coletados entre janeiro e agosto, demonstra que o aumento do preço do petróleo – que subiu US$ 23 por barril no mercado internacional – repercutiu significativamente nos valores da gasolina e do diesel no Brasil, cujos preços avançaram de R$ 6,28 para R$ 6,78 e de R$ 6,03 para R$ 7,45 por litro, respectivamente.
Além dos combustíveis, o efeito se manifestou em setores como querosene de aviação, que quase dobrou de preço, em químicos (19%), plásticos (18%) e fertilizantes (11%), enquanto a parcela de indústrias que identificam custo ou falta de matérias-primas como principal obstáculo cresceu de 17,3% para 31,2% no segundo trimestre.
O choque do petróleo já gerou um acréscimo de 0,42 ponto percentual na inflação entre março e abril
Repercussão Jurídica e Estratégias de Mitigação
O Banco Central alertou que, embora desonerações e subvenções tenham amortecido parcialmente a alta dos combustíveis, tais medidas têm custo fiscal limitado e podem gerar incerteza para a trajetória inflacionária no médio prazo.
Especialistas apontam que o repasse dos custos ainda não foi integralmente repassado ao consumidor final, mas o risco de nova elevação dos preços permanece enquanto as margens das empresas mantiverem espaço para absorver despesas adicionais.
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