São Paulo – O Hospital Salvalus, na Mooca, zona leste da capital paulista, foi multado pela Prefeitura de São Paulo em R$ 17.920,27 por descumprir o prazo legal para informar a administração municipal sobre a morte de uma mulher internada no local. A instituição é a mesma que é investigada pela Polícia Civil pela morte de seis bebês, como revelou o Metrópoles.
O caso que gerou a multa envolve uma paciente de 55 anos. Internada na unidade, ela morreu em 16 de dezembro de 2025, às 6h55. De acordo com as normas municipais, o hospital deveria ter informado o óbito à SP Regula, agência reguladora de serviços da cidade, em até 4 horas depois da confirmação da morte.
O Salvalus, no entanto, atrasou o envio das informações no site da SP Regula em uma hora e 40 minutos. A demora motivou a punição pela Prefeitura de São Paulo.
Durante o processo que apurou a infração, a administração municipal abriu espaço para a defesa do Salvalus, mas o hospital não se pronunciou. Após a confirmação da multa, a unidade entrou com recurso e pediu a suspensão da punição alegando, entre outros, que o valor não condiz com a gravidade do fato.
A defesa do hospital afirmou no recurso que a norma municipal cita que multa entre R$ 12 mil e R$ 20 mil, “a depender da gravidade da infração”.
“A consequência é que a expressão legal ‘a depender da gravidade da infração’ perde função prática se qualquer primeira ocorrência receber necessariamente o mesmo valor. É legítimo que o regulamento estabeleça critérios objetivos destinados a operacionalizar a faixa definida em lei. O que não se admite é que o regulamento elimine a própria graduação determinada pelo legislador, convertendo uma multa legalmente variável em sanção automática e uniforme”, diz o texto.
O Metrópoles procurou a Hapvida, rede responsável pelo Salvalus, para comentar o caso, mas não foi respondido até a publicação desta reportagem. O espaço está aberto.
Como revelou o Metrópoles em primeira mão, o Hospital Salvalus é alvo de um inquérito na Polícia Civil que apura a morte de bebês na unidade. As crianças teriam contraído infecções no ambiente hospitalar e morrido em decorrência de sepse ou choque séptico, além de outras complicações.
Ver esta publicação no Instagram Uma publicação partilhada por Metrópoles São Paulo (@metropoles.sp)
Uma publicação partilhada por Metrópoles São Paulo (@metropoles.sp)
O 8º Distrito Policial (Brás) apura seis casos, mas a reportagem teve acesso a 16 certidões de óbito. Uma advogada, que representa os pais das vítimas, disse estar em contato, ao todo, com 36 mães que perderam os filhos nos últimos meses no hospital – que integra a rede HapVida. No entanto, o número de mortes pode ser significativamente maior.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou à reportagem que os casos, ocorridos nos meses anteriores, foram comunicados nessa quarta-feira (21/10). “A autoridade policial realiza diligências, inclusive com as oitivas de profissionais de saúde e testemunhas, análise integral dos prontuários médicos, visando esclarecer as causas das mortes”, disse a pasta.
Em nota sobre o caso dos bebês, a rede HapVida, à frente do Salvalus, afirmou que “os pacientes mencionados apresentaram condições clínicas distintas e de elevada gravidade, tendo cada um deles recebido assistência contínua e multidisciplinar, com suporte de uma estrutura hospitalar de alta complexidade e atuação integrada de profissionais de diversas especialidades”.
Segundo a rede, “as condutas terapêuticas foram individualizadas, considerando as necessidades de cada paciente e a evolução de seus quadros clínicos”.
“Por meio de sua diretoria de acolhimento, a unidade mantém um canal aberto de diálogo, colocando-se à disposição para ouvir e prestar os esclarecimentos necessários, com respeito à privacidade e ao sigilo médico”, finalizou a nota.



