Em um dos biomas mais exuberantes do planeta, o Cerrado, 16 estudantes brasileiros, sob a alçada do Instituto Serrapilheira, realizaram pesquisa de campo na Chapada dos Veadeiros, em Cavalcante (GO), onde utilizaram sensores de temperatura desenvolvidos internamente para analisar os mecanismos de termorregulação dos cupinzeiros, espécie cuja estrutura social permite manter uma temperatura interna constante de 23 graus Celsius, independentemente das oscilações externas que variam de mais de 30 graus ao meio-dia para 11 graus à noite.
Contexto Institucional e Científico da Pesquisa de Campo
A investigação, inserida no Programa de Formação em Ecologia Quantitativa na sua sexta edição, mobilizou jovens pesquisadores de múltiplas áreas do conhecimento — biologia, geografia, física e ciência da computação — para analisar a capacidade adaptativa dos cupinzeiros em um ambiente de elevada diversidade biológica, onde o sensor 'Tamanduíno', construído com custo de R$ 150,00 e inspirado no comportamento do tamanduá ante a atividade formiga-cupim, demonstrou eficiência na manutenção da estabilidade térmica interna dos montes de.
O projeto destacou-se ainda pela análise da predação das lagartas por meio de simulações com matéria biodegradável e pela avaliação do impacto do capim-gordura — espécie exótica africana que ameaça a integridade do ecossistema nativo — no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, conforme apontado pelo coordenador científico do Instituto Relva, Paulo Negri.
O sensor 'Tamanduíno', desenvolvido com recursos próprios pelos pesquisadores por apenas R$ 150,00, demonstrou capacidade de manter temperatura estável nos cupinzeiros mesmo com variações climáticas extremas no ambiente externo.
Repercussão Técnica e Desafios Ambientais
As implicações técnicas do estudo transcendem a zoologia: a estrutura modular e eficiente do cupinzeiro — que não depende de energia elétrica para climatização — oferece modelo valioso para aplicações em arquitetura sustentável e engenharia de sistemas passivos de refrigeração, conforme evidenciado pela bióloga Sofia Coradini Schirmer.
A preocupação com o avanço do capim-gordura, que promove competição desleal com a vegetação nativa e pode comprometer a biodiversidade do Cerrado, demandou atenção redobrada por parte dos pesquisadores, cujo trabalho busca evidenciar os desequilíbrios causados por espécies invasoras em ecossistemas frágeis como o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.



