Em São Paulo, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou ter empregado recursos de campanha arrecadados via Pix para repasses a familiares e terceiros, apesar de o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) ter identificado movimentações somando R$ 159 mil entre janeiro e junho, incluindo transferências de R$ 56 mil a Michele Bolsonaro, R$ 77 mil à síndica Leda Maria Marques Crivelatti, R$ 12 mil ao tenente O smar Crivelatti e R$ 14 mil à lotérica Jonatan e Felix.
Apuração do Coaf e Contexto da CPI dos Atos de 8 de Janeiro
A investigação do Coaf revelou que os pagamentos foram realizados entre janeiro e junho, período anterior ao início da vaquinha do Pix em meados de junho, conforme afirmou Bolsonaro em entrevista à imprensa na Prefeitura de São Paulo, onde esteve presente durante almoço com o prefeito Ricardo Nunes (MDB). As transferências incluíram valores destinados a familiares próximos, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, e a pessoas ligadas ao entorno do ex-presidente, como o tenente O smar Crivelatti e a lotérica Jonatan e Felix, ambos identificados como associados ou beneficiários indiretos.
Conforme apuração realizada pela CPI dos ataques de 8 de janeiro, solicitada à Procuradoria-Geral da República, há indícios de que recebimentos de pedras preciosas teriam sido utilizados para financiar os atos violentos ocorridos em janeiro de 2023, embora Bolsonaro tenha negado qualquer vínculo direto entre esses recursos e as movimentações via Pix.
O total de R$ 159 mil em transferências via Pix entre janeiro e junho configura movimentação suspeita sob investigação da CPI dos ataques de 8 de Janeiro
Repercussão Jurídica e Estratégia Política em Meio ao Ano Eleitoral
O Coaf comunicou formalmente a necessidade de análise complementar ao Ministério Público Federal, enquanto a Procuradoria-Geral da República acatou o pedido da CPI dos ataques de 8 de Janeiro para investigar possíveis ligações entre recebimento de bens materiais e financiamento de atos violentos.
Bolsonaro reiterou sua inocência nas redes sociais, afirmando que os pagamentos foram destinados a despesas pessoais e apostas na Mega-Sena, mas não respondeu diretamente à solicitação da CPI sobre os recursos provenientes de pedras preciosas.



