No âmbito da polarização política e da corrida eleitoral, sete publicações veiculadas em seis estados entre 26 e 27 de setembro, com investimento total inferior a R$ 10 mil, atribuíram equivocadamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a responsabilidade pela regulamentação ou liberação das apostas esportivas e do Fortune Tiger (Tigrinho), apesar de a autorização original ter sido concedida em 2018 pelo ex-presidente Michel Temer, sob o qual as plataformas operavam em zona cinzenta legal até a sanção da Lei nº 14.183/2021 pelo governo petista.
Contexto Institucional, Legal e Histórico da Regulação das Apostas
A análise apurada revela que, embora a Lei nº 14.183/2021 tenha estabelecido o arcabouço regulatório para as apostas esportivas e os jogos de azar digitais, incluindo o Fortune Tiger, o marco legal definitivo foi construído sobre fundamentos técnicos e não ideológicos, com a outorga de R$ 30 milhões exigida das operadoras para funcionar dentro da legalidade.
O s esforços de desinformação, coordenados por atores políticos com interesses eleitorais, buscaram transformar uma decisão técnica do governo anterior em um suposto ativo de Lula, ampliando o alcance de campanhas pagas que associam o presidente ao 'Tigrinho' ou à suposta 'liberalização' do jogo online.
Mais de 7 publicações espalhadas por 6 estados em 48 horas atribuíram indevidamente à Lula a responsabilidade pela regulação das apostas, com alcance combinado superior a 5 milhões de usuários nas redes sociais
Repercussão Política, Jurídica e Estratégica dos Atores Envolvidos
A Polícia Federal e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já acionaram os canais de comunicação e plataformas digitais para investigar a origem e a veracidade das campanhas que vinculam Lula ao 'Tigrinho', enquanto candidatos como Hissa Abrahão (AM), Cláudio Branchieri (RS), Clariana Barão (MT), Nilson Leitão (MT), PPCell (CE) e Reinhold Stephanes Júnior (PR) mobilizaram recursos modestos — entre R$ 300 e R$ 3,5 mil — para impulsionar conteúdos que criticam ou atribuem responsabilidade à gestão petista.
O posicionamento institucional do governo federal, por meio da Secretaria Especial de Jogos e Apostas, reforça que a MP assinada em dezembro de 2023 visa proteger a saúde pública e combater o jogo ilegal, não atuar como ferramenta de propaganda eleitoral.



