O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), mantém ao menos 19 encontros presenciais e 100 conversas telefônicas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro entre março de 2024 e outubro de 2025, com registro adicional de 102 chamadas não concluídas, conforme apurações da Polícia Federal a partir do celular do ex-dono do Banco Master, evidenciando um intercâmbio privilegiado centrado no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e em negociações para a presidência da Casa.
Contexto Institucional e Estratégico das Interações
As conversas, obtidas por meio de interceptação autorizada pela Polícia Federal, revelam que Motta e Vorcaro discorriam sobre a necessidade de estudo técnico sobre o FGC, diante do rombo superior a R$ 50 bilhões registrado após a liquidação do Banco Master em decorrência de fraudes operacionais, com o objetivo de alinhar posturas políticas para o embate eleitoral em curso.
O intercâmbio se intensificou com solicitações de benefícios pessoais, como duas caronas de avião, um helicóptero e cinco ingressos para camarote no Carnaval do Rio de Janeiro em março de 2025, enquanto o uso recorrente do termo 'irmão' — documentado em 150 ocorrências — reforça a proximidade inusitada entre os interlocutores num cenário de fragilidade institucional.
O Fundo Garantidor de Crédito sofreu rombo superior a R$ 50 bilhões após a liquidação do Banco Master devido a fraudes operacionais.
Repercussão Institucional e Desafios Éticos
A assessoria de Motta rebate as acusações ao afirmar que os diálogos mantêm caráter institucional e repudia qualquer vínculo com favorecimento ilícito, destacando sua trajetória 'limpa' em 15 anos de vida pública sem menção a irregularidades formais.
A continuidade das negociações, aliada à pressão por esclarecimentos parlamentares e à investigação em curso, coloca o caso em foco crítico para a transparência da gestão política e para os limites éticos do poder legislativo frente aos interesses econômicos privados.



