Em pronunciamento histórico no gabinete do ministro do STF André Mendonça, na quarta-feira (9/9), o acordo de delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, foi homologado, consolidando uma investigação que envolve o repasse de recursos financeiros ao filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, por meio da empresa Entre Investimentos, vinculada ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Contexto Institucional e Procedimentos da Delação
A homologação da delação premiada pelo ministro do STF André Mendonça, ocorrida em 9 de setembro, representa o desfecho de uma investigação conduzida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) que apura a movimentação de recursos oriundos do Banco Master para o financiamento de projetos cinematográficos com vínculos políticos, incluindo o filme Dark Horse, cujo roteiro aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O empresário Mineiro, dono da 'Entre Investimentos', reconheceu perante a PGR sua participação na entrega de dinheiro vivo a terceiros conforme orientação de seu sócio, Daniel Vorcaro, além de possuir vídeos que documentam as transações, incluindo alegações de repasses a um ex-ministro do governo Bolsonaro, conforme revelado em depoimento que circulou nos autos da ação penal federal.
A delação premiada confirma a entrega de dinheiro vivo e a existência de vídeos que registram transações entre o empresário Mineiro e os intermediários do patrocínio ao filme Dark Horse.
Repercussão Jurídica e Estratégias de Apuração
A decisão do ministro André Mendonça autoriza o avanço das investigações da Polícia Federal sobre suposto esquema de lavagem de recursos vinculado ao financiamento do filme Dark Horse, que já havia sido alvo de diligências policiais em razão das ligações entre Daniel Vorcaro, sócio do Banco Master, e o empresário Mineiro, conforme consta nos autos da O peração Cúpula.
A Procuradoria-Geral da República e o STF mantêm sigilo sobre os nomes dos possíveis receptores das malas de dinheiro, mas Mineiro indicou, em declaração à PGR, que um ex-ministro do governo Bolsonaro teria sido um dos beneficiários diretos dos recursos encaminhados por intermédio da 'Entre Investimentos', fato que pode configurar crime de corrupção ativa e lavagem de ativos.



