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Flávio menos Jair, Lula com novo jeito de governar: os desafios do vencedor

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Hoje às 03:22
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Flávio menos Jair, Lula com novo jeito de governar: os desafios do vencedor
Fatos Rápidos da Notícia
  • Quando as urnas revelarem o presidente eleito neste domingo (25), seja ele o senador Flávio Bolsonaro (PL) ou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vencedor terá pela frente o desafio de adotar uma nova maneira de governar após uma das disputas presidenciais mais apertadas da história.
  • Escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como candidato ao Planalto para manter a força do bolsonarismo dentro da família, Flávio, segundo aliados, terá de imprimir uma marca própria à Presidência, sem reproduzir os erros do pai.
  • Lula, por sua vez, reconhece a necessidade de rever a forma de governar depois de um terceiro mandato em que a frente ampla anunciada em 2022 não se traduziu, na avaliação de interlocutores, em uma efetiva divisão de poder nem conseguiu atrair eleitores para além da esquerda.
Resumo Editorial

Quando as urnas revelarem o presidente eleito neste domingo (25), seja ele o senador Flávio Bolsonaro (PL) ou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vencedor terá pela frente o desafio de adotar uma nova maneira de governar após uma das disputas presidenciais mais apertadas da história.

Quando as urnas revelarem o presidente eleito neste domingo (25), seja ele o senador Flávio Bolsonaro (PL) ou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vencedor terá pela frente o desafio de adotar uma nova maneira de governar após uma das disputas presidenciais mais apertadas da história.

Escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como candidato ao Planalto para manter a força do bolsonarismo dentro da família, Flávio, segundo aliados, terá de imprimir uma marca própria à Presidência, sem reproduzir os erros do pai.

Lula, por sua vez, reconhece a necessidade de rever a forma de governar depois de um terceiro mandato em que a frente ampla anunciada em 2022 não se traduziu, na avaliação de interlocutores, em uma efetiva divisão de poder nem conseguiu atrair eleitores para além da esquerda.

O próprio fato de a eleição chegar à reta final sem um favorito definido indica que, qualquer que seja o vencedor, encontrará uma oposição organizada e mobilizada.

As pesquisas divulgadas neste sábado (24) mostram Flávio numericamente à frente, em empate técnico. A vantagem alimenta a expectativa de vitória entre os aliados do senador, enquanto o entorno do presidente aposta em uma virada.

Flávio e a influência do pai

No entorno de Flávio, aliados afirmam que, se eleito, o senador terá o pai como conselheiro, mas será o "dono da caneta Bic". Não renegará o DNA bolsonarista, mas buscará imprimir um estilo mais aberto ao diálogo e à composição política do que o ex-presidente.

Questionado sobre a possibilidade de nomear Jair Bolsonaro para um cargo, o senador afirmou que o pai nunca tratou do assunto com ele. "Meu pai vai ser você, vai ser o povo brasileiro", disse, em sabatina à TV Globo.

A missão, contudo, não será simples. Além da influência do pai, Flávio terá de administrar os interesses dos irmãos, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e de Carlos Bolsonaro, senador eleito por Santa Catarina, identificados com a ala mais ideológica do bolsonarismo.

Há ainda a relação com a madrasta, Michelle Bolsonaro, senadora eleita pelo Distrito Federal. Os dois tiveram atritos durante a pré-campanha e depois se reaproximaram, mas a ex-primeira-dama teve participação discreta na corrida presidencial.

A necessidade de equilibrar as diferentes forças da família se soma às pressões dos aliados que defendem uma gestão mais ao centro.

Um dos argumentos usados por interlocutores do senador para sustentar que seu eventual governo não será um Jair 2.0 é a própria construção da candidatura. Diferentemente do pai, que chegou à Presidência em 2018 pelo então pequeno PSL, com uma aliança partidária restrita e cercado de militares, Flávio disputou a eleição com a estrutura do PL e uma rede mais ampla de apoios políticos.

Depois de disputar o primeiro turno sem a adesão formal de parte expressiva dos partidos de centro, recebeu no segundo turno o apoio de Republicanos, Novo, União Brasil, PP e Podemos. Conquistou ainda o respaldo de integrantes do MDB e do PSD, como o ex-governador Ronaldo Caiado, quinto colocado na corrida presidencial.

Apenas o PL elegeu 121 deputados federais e terá 28 senadores a partir de 2027, além de contar com governadores aliados. A força parlamentar coloca Flávio em uma condição diferente da enfrentada pelo pai, mas também exigirá acomodar interesses de grupos políticos distintos.

Outro desafio será administrar a relação com o Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. A bancada de direita no Senado promete pressionar pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, relator de inquéritos que atingem o clã e um dos principais alvos de críticas do bolsonarismo.

Flávio, se eleito, também encontrará uma oposição de esquerda que voltou a se mobilizar nas ruas e ganhou força nas plataformas digitais, especialmente com o canal Exército de Lula, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG).

A oposição deverá manter a pressão sobre as suspeitas levantadas contra Flávio durante a campanha, como a investigação sobre o financiamento do filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, e a relação do senador com o advogado e amigo Willer Tomaz, investigados por suspeitas de lavagem de dinheiro.

Lula e a reconstrução da frente ampla

Já Lula, se reeleito, permanecerá no Planalto depois do feito histórico de reverter a desvantagem do primeiro turno. A eventual vitória, porém, não apagará as dificuldades enfrentadas em seu terceiro mandato para conquistar apoio fora do eleitorado tradicional do PT.

Embora considere a atual gestão a melhor de seus três mandatos, Lula chega ao fim da disputa sem uma marca que tenha conseguido expandir significativamente sua base eleitoral. O presidente teve dificuldades para dialogar com setores resistentes ao petismo, especialmente evangélicos, representantes do agronegócio e parcelas da classe média.

A campanha também expôs os limites de sua comunicação nas redes sociais. Lula demorou a se adaptar à linguagem digital e só no segundo turno passou a participar mais diretamente de iniciativas nesse ambiente, com a entrada de Janones na estratégia de mobilização.

Foi ao lado de Janones, em uma transmissão na quinta-feira (22), que o presidente fez seu aceno mais explícito à necessidade de mudanças em um eventual quarto mandato.

"Depois da nossa vitória a gente vai ter que discutir um novo jeito de governar este país. A participação do povo nesta campanha, a saída na rua dos estudantes, das mulheres, dos trabalhadores, vai nos obrigar a fazer um novo jeito de governar este país. Este país nunca mais será o mesmo", disse Lula.

Para aliados, porém, a mudança terá de ir além da mobilização popular. A frente ampla que levou Lula de volta ao poder em 2022 não se concretizou, na avaliação desses interlocutores, na condução do governo. O PT preservou o controle de áreas estratégicas e do núcleo mais próximo do presidente, enquanto integrantes da coalizão consideram que tiveram espaço limitado nas decisões.

Auxiliares também descrevem um Lula mais fechado neste terceiro mandato do que nos dois anteriores, com menor disposição para a articulação política e o diálogo com os próprios ministros. Segundo esses interlocutores, o presidente demonstrou resistência a conselhos e a mudanças na forma de conduzir o governo.

O resultado das eleições legislativas reforça a necessidade de negociação. O PT elegeu 70 deputados federais e terá uma bancada de 88 parlamentares com PCdoB e PV, partidos de sua federação. Somados PSOL, Rede, PSB e PDT, as legendas do campo progressista terão 124 cadeiras na Câmara, apenas três a mais que o PL sozinho.

O número está distante dos 257 votos necessários para formar maioria absoluta na Casa. No Senado, o PT terá nove representantes, contra 28 do PL.

Se reeleito, Lula terá de construir uma coalizão capaz de sustentar seu governo em um Congresso de perfil conservador, sem repetir os impasses políticos do terceiro mandato.

Mas a eleição deste domingo também marca um momento decisivo na trajetória política de Lula. O presidente, que completará 81 anos na próxima terça-feira (27), disputa sua última eleição presidencial. Se vencer, conquistará um quarto mandato e poderá completar 16 anos à frente do país — apenas dois a menos que Getúlio Vargas.

Se perder, encerrará sua última campanha ao Palácio do Planalto com uma derrota nas urnas. O petista concorreu em 1989, 1994, 1998, 2002, 2006 e 2022, sendo eleito nas três últimas disputas.

Desta vez, o petista entrou na campanha convencido de que venceria Flávio Bolsonaro. Apenas ao sair atrás do candidato do PL no primeiro turno é que Lula viu sua reeleição ameaçada. A mobilização nas ruas e nas redes deu novo fôlego à campanha do ex-sindicalista.

“A única campanha similar a esta foi a de 1989. Foi a mais emocionante que participei pela participação da sociedade”, afirmou Lula, ao participar de seu último ato de campanha na Avenida Paulista neste sábado (24).

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