O governo brasileiro avalia que a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos abre caminho para investigações envolvendo o clã Bolsonaro no território americano. No Palácio do Planalto, a leitura é que a derrota republicana enfraquece a articulação do senador Flávio Bolsonaro e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro junto ao Parlamento dos EUA, dificultando a mobilização da família para pressionar o Brasil.
A perda de interlocutores republicanos na Câmara e no Senado norte-americanos reduz o espaço para parlamentares que defendiam os Bolsonaro em Washington. Com isso, os democratas ganham força para cobrar explicações do governo Donald Trump sobre medidas adotadas contra o Brasil e pressionar por investigações.
Apesar da expectativa, integrantes do governo apontam que o Departamento de Estado, sob comando de Marco Rubio, continua sendo o principal canal da família no governo Trump. A avaliação é que o resultado eleitoral deve ter pouco efeito sobre a permanência dos irmãos nos Estados Unidos no curto prazo, com uma mudança sendo vista como possível apenas após a eleição presidencial de 2028, caso os democratas recuperem a Casa Branca.
Eduardo Bolsonaro, que reside nos EUA desde fevereiro de 2025, declarou em entrevista ao influenciador americano Joey Mannarino que não teme ser obrigado a deixar o país. Ele afirmou estar 100% legal nos EUA, assim como seu irmão e familiares, e que não cabe ao Congresso americano revogar vistos ou cidadanias.
O ex-deputado foi condenado pela Primeira Turma do STF a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, após articularem sanções contra integrantes da Corte e tarifas contra o Brasil para pressionar o julgamento que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Já Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após a derrota para Lula e, em carta divulgada após chegar aos EUA, agradeceu o acolhimento de Javier Milei e Donald Trump.
No caso Dark Horse, a Polícia Federal acionou o Ministério da Justiça em 9 de outubro e enviou um pedido de cooperação aos Estados Unidos na semana seguinte para rastrear repasses do Banco Master ao Havengate Development Fund. A PF apura se parte do dinheiro foi desviada para sustentar Eduardo nos EUA, enquanto ele nega ter recebido recursos de Daniel Vorcaro ou do fundo.



