Em 8 de setembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por 90 dias, em razão de indícios de monitoramento ilegal sobre o ministro Alexandre de Moraes, desdobramento que intensifica a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, diante da crise institucional e das investidas judiciais contra os magistrados da Corte Suprema.
Contexto Institucional e Procedimentos Judiciais em Instabilidade
A decisão do relator do Caso Master, tomada em 8/9, seguiu alegações de interceptações ilícitas envolvendo conversas captadas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, com 52 mensagens enviadas a um contato vinculado ao ministro Alexandre de Moraes, conforme revelado em relatórios de inteligência citados pelo próprio ministro em decisão anterior para incluir Mendonça no inquérito das Fake News. O afastamento disciplinar, previsto no artigo 129 do Regimento Interno da Polícia Federal, visa preservar a imparcialidade das investigações policiais e evitar qualquer suspeita de viés político na condução das apurações sobre o Banco Master, que já resultam em indícios de fraudes bilionárias.
Antecedentes revelam uma escalada de desavenças entre os ministros do STF: após a quebra de sigilo da ação que investiga a relação entre Moraes e Vorcaro — realizada por Mendonça na semana anterior —, o magistrado retaliou afirmando que seu colega tentava instrumentalizar o inquérito para fins políticos, inclusive visando o presidente do Senado. Nesse contexto, a Procuradoria-Geral da República (PGR), representada pelo procurador-geral Paulo Gonet, denuncia dupla nulidade na conduta de Mendonça por autorizar a PF a investigar um magistrado com foro privilegiado sem prévia autorização do plenário do STF nem iniciativa do Ministério Público.
A decisão de Mendonça afasta o diretor-geral da PF por 90 dias sob suspeitas de monitoramento ilegal contra o ministro Alexandre de Moraes.
Repercussões Jurídicas e Estratégias Políticas no Congresso
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reiterou sua decisão de não dar andamento aos 109 pedidos de impeachment contra os ministros do STF, argumentando que a cifra não é compatível com a normalidade institucional e reafirmando seu papel como garantidor das prerrogativas parlamentares. Contudo, aliados próximos ao senador amapaense expressam preocupação com o desgaste político decorrente da recusa em articular processos impeachment, sobretudo diante da polarização crescente e dos riscos eleitorais à sua reeleição para a presidência da Casa em 2027.
A crise no STF alimentou divisões na base aliada ao governo: enquanto Flávio Bolsonaro (PL) utilizou o episódio para defender Mendonça e demandar a saída de Moraes como medida para 'salvar' a Corte, setores moderados dentro do Senado pressionam Alcolumbre a adotar postura mais conciliadora. Com as eleições se aproximando, o equilíbrio entre autonomia institucional e responsabilidade política torna-se cada vez mais delicado.



