Uma das principais consultorias globais de risco político, a Eurasia Group avalia que a recuperação do presidente Lula (PT) nas pesquisas reduziu de 70% para 60% a probabilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Apesar da mudança, a consultoria mantém o candidato do PL como favorito e avalia que o tempo restante pode ser insuficiente para uma virada do presidente.
“O movimento das pesquisas favorece Lula, mas o tempo disponível pode ser insuficiente para transformar essa recuperação em uma vitória”, afirma Philipe Moura, diretor de estratégia da Eurasia Group.
Segundo Moura, a diferença média entre os candidatos caiu de 2,6 pontos percentuais na quarta-feira (21/10) para 1,9 ponto na sexta-feira (23/10). Com ajustes que consideram a probabilidade de comparecimento às urnas, Flávio ainda teria vantagem de pouco mais de dois pontos.
A consultoria atribui parte da recuperação de Lula à intensificação da campanha do PT na reta final. O partido ampliou as críticas ao adversário e passou a destacar propostas relacionadas à proteção social, como a gratuidade do transporte público e a criação de um Pé-de-Meia universitário.
A análise também aponta a aprovação da proposta de redução da jornada de trabalho na escala 6×1 como um dos fatores que contribuíram para melhorar a percepção sobre o presidente.
Outro fator apontado por Moura é a diminuição da repercussão de escândalos envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação do diretor, a perda de espaço desses assuntos no debate público permitiu que Lula voltasse a explorar vantagens associadas à condição de presidente em exercício.
A consultoria, porém, identifica obstáculos à recuperação do petista. Entre eles estão a insatisfação de parte da classe média com a situação do país e as preocupações com corrupção, segurança pública e perspectivas econômicas. Segundo a análise, esses temas alimentam o desejo de mudança entre parte do eleitorado.
A Eurasia também considera que as pesquisas podem superestimar o desempenho de Lula em aproximadamente um ponto percentual. A hipótese se baseia na avaliação de que eleitores com maior probabilidade de se abster tenderiam a apresentar preferência mais à esquerda. O material, porém, não detalha o cálculo utilizado para chegar a essa estimativa.
Para o diretor da Eurasia, o resultado final dependerá da evolução das intenções de voto e da mobilização dos eleitores até domingo (25/10).



