O Senado do Paraguai aprovou nesta sexta-feira (6/11) o impeachment do presidente Santiago Peña por 44 votos a favor e uma abstenção, atingindo o quórum de dois terços necessário para a destituição. A decisão foi tomada mesmo após Peña ter renunciado ao cargo e ter tido negado o pedido de prorrogação de 72 horas para apresentar sua defesa.
O processo foi instaurado pela Câmara dos Deputados na quinta-feira, baseado em um pedido de 35 parlamentares que acusam Peña de envolvimento pessoal com o Banco Ueno. O banco digital, que atendia cerca de 2,9 milhões de clientes, foi dissolvido na terça-feira (3/11) pelo Banco Central após identificar que sua solvência estava abaixo do limite legal, resultando no bloqueio de contas e na impossibilidade de saques da população.
Os deputados alegam que Peña era acionista do grupo controlador do banco até 2025 e promoveu alterações na lei de conflito de interesses, permitindo a concentração de bilhões de guaranis em garantias do Instituto de Segurança Social (IPS) no Banco Ueno, além de nomear Carlos Cavalla para a presidência do Banco Central. O Ministério Público também instaurou investigação formal contra o presidente por suspeitas de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, corrupção, fraude administrativa e tráfico de influência.
O caso envolve ainda a prisão de oito executivos da instituição, incluindo o presidente Juan Gustale e o fundador Miguel Vázquez. O banco é acusado de manipulação patrimonial e de conceder empréstimos a empresas ligadas ao seu grupo controlador.



