Ministro suspende chefe da Polícia Federal por condutas suspeitas
O ministro André Mendonça, relator do Inquérito das Fake News no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por um período inicial de 90 dias. A decisão, formalizada em relatório enviado ao ministro Alexandre de Moraes em 8 de setembro de 2023, aponta condutas suspeitas, incluindo irregularidades e potenciais ilicitudes na produção de relatórios de inteligência sigilosos.
(A) superlativa gravidade e ilicitude na produção dos 'relatórios de 'inteligência' publicizados pelo ministro Alexandre de Moraes impõe a adoção de providências imediatas para evitar que as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuem sendo vilipendiadas
O afastamento visa preservar a imparcialidade das investigações internas e evitar que o cargo de diretor-geral seja incompatível com a função devido ao potencial de influenciar apurações em curso. A medida foi motivada pela necessidade de impedir que atividades policiais "continuem sendo vilipendiadas", conforme destacado pelo relator na decisão publicada nesta terça-feira.
A decisão ocorre em um contexto de intensas investigações no caso Master, com menção ao nome de Andrei Rodrigues em mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro enviadas em novembro de 2025. O relatório também indicou que o próprio Mendonça teria sido alvo de monitoramento ilícito pela PF há mais de 30 dias, reforçando a gravidade das irregularidades identificadas.
Repercussões e próximos passos
Após a publicação da decisão, Andrei Rodrigues desistiu de participar de evento da PF em Brasília, marcando um novo capítulo nas tensões entre o governo e a instituição policial. O ministro convocou sessão virtual para referendar a medida, com julgamento da Segunda Turma do STF prevista entre as 10h e 23h59 desta terça-feira (8/9).
O afastamento preventivo do chefe da Polícia Federal representa um marco inédito na relação entre o Judiciário e a Executiva, especialmente em razão do histórico de alianças entre Mendonça e autoridades da PF nos últimos seis anos. A decisão também atinge o delegado Leandro Almada da Costa, responsável pela Inteligência Policial, cuja produção também foi interditada.



