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Análise: As lições de investimento das eleições de 2026

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Hoje às 11:59
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Análise: As lições de investimento das eleições de 2026
Fatos Rápidos da Notícia
  • Entre a sexta-feira de 25 de setembro e a véspera do segundo turno, o Ibovespa saiu da casa dos 183 mil pontos para 205 mil, o dólar furou os R$ 5 e os juros futuros tiveram uma das maiores quedas diárias da história.
  • Este artigo reconstrói o comportamento dos preços nas semanas em torno da eleição de 2026: a bolsa, as opções de EWZ, as ações e setores que mais andaram, o câmbio e a curva de juros.
  • A conclusão não é sobre quem vence a eleição. É sobre como se constrói uma carteira capaz de capturar movimentos que ninguém consegue prever com precisão.
Resumo Editorial

A conclusão não é sobre quem vence a eleição. É sobre como se constrói uma carteira capaz de capturar movimentos que ninguém consegue prever com precisão.

Entre a sexta-feira de 25 de setembro e a véspera do segundo turno, o Ibovespa saiu da casa dos 183 mil pontos para 205 mil, o dólar furou os R$ 5 e os juros futuros tiveram uma das maiores quedas diárias da história.

A maior parte desse ganho aconteceu em um único pregão, o de 5 de outubro, e quem não estava posicionado antes da abertura simplesmente não participou.

Este artigo reconstrói o comportamento dos preços nas semanas em torno da eleição de 2026: a bolsa, as opções de EWZ, as ações e setores que mais andaram, o câmbio e a curva de juros.

A conclusão não é sobre quem vence a eleição. É sobre como se constrói uma carteira capaz de capturar movimentos que ninguém consegue prever com precisão.

O Ibovespa subiu 4,71% na semana anterior ao primeiro turno e fechou a sexta-feira, 2 de outubro, aos 192.114 pontos, maior nível desde abril. Só naquele último pregão, a alta foi de 2,63%, e analistas atribuíram a arrancada final à aposta de que o candidato da direita teria desempenho acima do esperado.

O detalhe que importa: as pesquisas ainda apontavam o contrário. O Datafolha da véspera mostrava Lula com 42% e Flávio Bolsonaro com 38% dos votos totais no primeiro turno.

Ou seja, quem estava comprado em bolsa estava comprado em incerteza, não em uma certeza.

Alguns papéis já antecipavam o movimento. A Hapvida liderou a semana com alta de 24,6%, e a Azzas 2154 avançou 19,3% 5 de outubro: o pregão que decidiu o mês

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, resultado acima do que as pesquisas indicavam. Na segunda-feira (26), o mercado reprecificou tudo de uma vez:

Bolsa: o Ibovespa subiu 7,70% e fechou a 206.912 pontos, a maior alta diária desde 24 de março de 2020 . Na máxima, chegou a 209.605 pontos.

Abertura: o índice abriu já em alta de 4,32%, aos 200.418 pontos. Não houve tempo de entrar na baixa.

Dólar: caiu 4,12%, a R$ 5,001, a maior desvalorização diária frente ao real em oito anos.

Juros: a curva de DI teve a segunda maior queda diária desde 2005 e voltou para baixo de 13%, nível não visto desde outubro de 2024

No exterior: o EWZ subiu cerca de 13,7% no dia, e os ADRs de Itaú e Bradesco ganharam 15% e 19%.

Na semana inteira de 5 a 9 de outubro, o Ibovespa acumulou 8,82% e o dólar recuou 4,44% . Quase todo esse ganho veio do gap de abertura da segunda-feira.

Opções de EWZ: onde a assimetria apareceu

O EWZ, ETF da iShares que replica as maiores empresas brasileiras em Nova York, foi o termômetro global da eleição.

No início de setembro, as posições em opções de compra (calls) de EWZ somavam cerca de 5,2 milhões de contratos, algo como US$ 20 bilhões em exposição nocional, concentradas nos strikes de US$ 43 e US$ 45 com vencimento em 20 de novembro.

Na época, o ETF negociava entre US$ 38 e US$ 39, ou seja, 10% a 18% abaixo desses strikes.

Em 7 de setembro, a 22V Research sugeria uma trava de calendário: vender a call de outubro com strike 42 e comprar a de novembro com strike 41, a um custo de cerca de US$ 1,20, com o EWZ a US$ 37,86.

A lógica era pagar pouco para ter exposição ao segundo turno.

Em 5 de outubro, o EWZ abriu um gap de US$ 38,22 para US$ 42,74, renovou a máxima em seis anos e passou a acumular 20% na semana e 34% no ano.

Uma call de novembro com strike 41, que estava fora do dinheiro, passou a valer pelo menos US$ 1,74 só de valor intrínseco.

A lição tem dois lados. Opções permitem capturar um evento binário com perda máxima conhecida, mas essa perda é real: se o resultado fosse o oposto, o prêmio pago viraria pó.

É instrumento para quem dimensiona a posição dentro de uma carteira, não para quem aposta o patrimônio.

Ações e setores: o rali foi doméstico e sensível a juros

Quem ganhou mais não foram as blue chips, e sim as empresas que dependem de juros menores e de consumo interno. Nos dois primeiros pregões após o primeiro turno, 18 ações do Ibovespa, do IDIV e do índice de Small Caps subiram mais de 20%, enquanto o Ibovespa avançou 7,14%.

Do outro lado ficaram os exportadores. A Vale impediu um rali ainda maior do índice, e a siderurgia teve três representantes entre as maiores quedas. Com o real mais forte, quem fatura em dólar perde.

Há um dado que reforça a tese da diversificação: as sete ações do Ibovespa que subiram mais de 20% pesavam só 3,13% do índice, enquanto as 12 que caíram somavam 21,15%. Quem tinha apenas o índice, ou apenas exportadoras, capturou uma fração do movimento.

Dólar e juros futuros: a renda fixa também teve seu rali

Câmbio: O dólar fechou a sexta-feira pré-eleição a R$ 5,2165 e terminou a véspera do segundo turno a R$ 4,993, com queda de 3,50% em outubro e de 9,03% no ano. Para quem tinha dólar como proteção, o período foi de perda, e é exatamente assim que um hedge deve se comportar quando o cenário de risco não se materializa.

Juros futuros: Na véspera do primeiro turno, o DI para janeiro de 2029 estava em 13,79% e o de janeiro de 2031 em 13,96% . Na manhã de 5 de outubro, o DI janeiro de 2029 chegou a 12,83%, queda de quase um ponto percentual em horas. Em 8 de outubro, o DI janeiro de 2028 rodava a 12,52%.

Na prática, quem tinha títulos prefixados ou atrelados à inflação de prazo mais longo ganhou com a marcação a mercado. Como regra aproximada, o ganho é a duration do título vezes a queda da taxa: um prefixado com duration de cerca de dois anos, diante de uma queda próxima de um ponto, valoriza perto de 2% de uma vez, além da taxa contratada. Quem estava só no pós-fixado recebeu o CDI, o que é bom, mas não capturou esse salto.

O segundo turno: o mercado passou a andar ao ritmo das pesquisas

Depois do recorde de 209.067 pontos em 8 e 9 de outubro, a bolsa entrou em modo de espera. Na volta do feriado, em 13 de outubro, o Ibovespa caiu com realização de lucros e com a pesquisa BTG/Nexus mostrando 48% a 45%, empate técnico.

O dólar devolveu parte da queda e subiu 1,77% naquela semana.

Na reta final, cada levantamento mexeu nos preços. Em 20 de outubro, o índice subiu 1,57%, a 208.296 pontos, com entrada de capital estrangeiro; no dia seguinte, a Quaest com 45% a 44% trouxe correção ().

No último pregão, sexta-feira, 23, o Ibovespa fechou a 205.083 pontos, com queda de 0,17% na semana, alta de 10,06% em outubro e de 27,28% em 2026..

Este texto foi escrito na manhã do segundo turno, sem conhecer o resultado. E esse é justamente o ponto: o mercado chega a hoje com boa parte de um cenário já no preço, e o próximo gap de abertura, para cima ou para baixo, vai acontecer antes de qualquer investidor conseguir reagir.

Quem estava dentro, quem estava fora

De 2 a 23 de outubro, o resultado de cada posição dependeu menos da opinião política do investidor e mais de onde o dinheiro já estava antes da abertura de 5 de outubro.

As lições

Os grandes movimentos acontecem em gaps, não em tendências. O Ibovespa abriu 5 de outubro já 4% acima do fechamento anterior. Não houve janela para entrar depois de saber o resultado. Quem esperava "a poeira baixar" pagou mais caro para entrar ou ficou de fora.

Ninguém precisava acertar a eleição; precisava estar posicionado. As pesquisas da véspera apontavam outro cenário. Quem ganhou não foi quem adivinhou o resultado, foi quem tinha uma carteira montada para se beneficiar de uma reprecificação do Brasil.

Diversificar é ter peças que reagem de forma diferente ao mesmo evento. Bolsa, prefixados e opções capturaram a alta; o dólar perdeu valor, como deve fazer uma proteção. Uma carteira com todas essas peças ganhou no conjunto e estaria protegida se o resultado fosse o oposto. Concentração em um único ativo, ou só no índice, capturou uma fração do movimento.

Dentro da bolsa, setor importa tanto quanto estar na bolsa. As ações que mais subiram pesavam pouco no índice, e exportadoras como Vale e siderúrgicas andaram para trás. Escolher setores pela leitura de juros e câmbio fez a diferença.

Instrumentos sofisticados exigem dimensionamento profissional. Opções de EWZ e prefixados longos ofereceram assimetria, mas com risco de perda integral do prêmio ou de marcação negativa. O que separa estratégia de aposta é o tamanho da posição dentro do todo.

Um time de especialistas transforma volatilidade em oportunidade. Acompanhar curva de juros, fluxo estrangeiro, posicionamento em opções e pesquisas ao mesmo tempo não cabe na rotina de quem tem outra profissão. O investidor que conta com gestão e análise profissionais chega a eventos como este já posicionado, com proteções definidas e um plano para os dois cenários. É assim que se constroem resultados grandes: menos previsão, mais preparo.

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