O pregão da bolsa brasileira enfrenta turbulências nesta segunda-feira (26), com investidores reagindo ao resultado das eleições presidenciais de 2026.
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 51,88% dos votos e foi reeleito, contrariou as expectativas de parte do mercado e levou o Ibovespa a acionar o circuit breaker, mecanismo utilizado pela B3 para interromper temporariamente as negociações em momentos de fortes quedas.
A maioria das pesquisas eleitorais apontava para a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio era visto por parte dos investidores como uma aposta para um governo com maior controle dos gastos públicos e uma condução mais rigorosa da política fiscal.
Logo na abertura dos negócios, as negociações de ativos como ações, BDRs, Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX 50, Índice Small Cap e ETFs foram suspensas por 30 minutos.
Após a retomada, por volta das 10h40 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira chegou a recuar cerca de 17%, aproximando-se dos 169 mil pontos.
O episódio marca o primeiro acionamento do circuit breaker desde 2020, quando o mercado financeiro enfrentou fortes oscilações em meio à pandemia de Covid-19. Naquele ano, o mecanismo foi acionado seis vezes.
Desde sua adoção, em 1997, o dispositivo foi acionado 24 vezes, incluindo o episódio desta segunda-feira. Até então, nenhuma eleição presidencial havia provocado a interrupção das negociações na bolsa brasileira.
Em 2008, durante a crise financeira internacional desencadeada pelo mercado imobiliário norte-americano, o mecanismo também foi acionado seis vezes em menos de um mês.
Outros episódios relevantes ocorreram na década de 1990. Em 1999, em meio à desvalorização do real, o Ibovespa recuou 10,29%. Dois anos antes, em 1997, a crise financeira asiática levou o índice a registrar queda de 10,19%.
Como funciona o circuit breaker
O circuit breaker é um mecanismo que interrompe temporariamente as negociações na bolsa quando o mercado registra quedas acentuadas. O tempo de suspensão varia de acordo com a intensidade do recuo do Ibovespa, principal índice de referência do mercado acionário brasileiro.
No Brasil, o mecanismo é acionado quando o Ibovespa registra queda de 10% em relação ao fechamento do pregão anterior. Nesse caso, as negociações são interrompidas por 30 minutos.
Se, após a retomada, o índice atingir uma queda de 15%, a B3 suspende novamente as negociações, desta vez por uma hora.
Em uma terceira etapa, caso o recuo ultrapasse 20%, a bolsa pode determinar a suspensão das negociações por um período que fica a seu critério. A decisão e o prazo são comunicados ao mercado pelos canais oficiais da B3.



