Duas ex-colaboradoras de Julio Iglesias ajuizaram o cantor na Espanha por agressão sexual, assédio e trabalho forçado, com a ação iniciada em 3 de setembro, conforme confirmado pela O NG Women's Link Worldwide, que representa as requerentes. O processo reaviva denúncias que circulam desde 2021, período em que as mulheres prestavam serviços ao artista em seus empreendimentos internacionais, incluindo atos ocorridos em propriedades localizadas nas Bahamas e na República Dominicana.
Contexto Jurídico e Histórico das Acusações
A Women's Link Worldwide formalizou a denúncia com base em relatos detalhados das ex-funcionárias, que alegam ter sido submetidas a 'situações contínuas de assédio e agressões sexuais', além de condições de trabalho forçado e degradantes durante o período de 2021, enquanto exerciam funções remuneradas no cenário internacional do cantor. A ação judicial representa uma reativação do caso inicialmente protocolado em janeiro deste ano, quando autoridades espanholas arquivaram o processo sob o fundamento de incompetência territorial, argumentando que os supostos delitos ocorreram em solo estrangeiro e não guardavam vínculo suficiente com a Espanha para justificar investigação nacional.
Durante os anos 1950 e início dos anos 1960, Julio Iglesias destacou-se como goleiro do Real Madrid Castilla, equipe de desenvolvimento do renomado clube madrilenho. Seu início promissor no futebol foi interrompido por um grave acidente automobilístico em 1962, que comprometeu severamente sua coluna vertebral e as pernas. Após dois anos de recuperação intensiva, durante a qual contou com o apoio de uma enfermeira que lhe presenteou um violão para reabilitar suas mãos, Iglesias retornou aos gramados em 1964, consolidando uma trajetória que eventualmente se transformou em uma das carreiras artísticas mais longevas da música mundial.
Duas ex-funcionárias moveram ação contra Julio Iglesias por agressão sexual e trabalho forçado em setembro de 2023.
Repercussão Institucional e Próximos Desdobramentos
A defesa oficial de Julio Iglesias rebateu categoricamente as acusações, rotulando-as como 'absolutamente falsas' e negando qualquer prática de abuso, coação ou desrespeito às mulheres envolvidas. A Women's Link Worldwide reforçou sua posição ao destacar que o direito espanhol prevê competência jurídica para julgar crimes cometidos no exterior quando há conexão relevante com o país, princípio que poderá embasar o novo pedido de investigação. O caso ressuscita também o debate sobre a responsabilidade de artistas multinacionais em relationamento com seus colaboradores em diferentes jurisdições.
O desfecho do processo dependerá da análise dos tribunais espanhóis sobre a admissibilidade da denúncia e eventuais provas apresentadas pelas parte autoras. Enquanto isso, o caso reforça a necessidade de mecanismos eficazes para garantir a proteção de trabalhadores em situação vulnerável no âmbito da indústria do entretenimento global.



