A possibilidade de reabrir o debate sobre a divisão do Pará circula nos bastidores da transição para o governo de Daniel Santos, do Podemos. Segundo relatos, lideranças do Oeste, sul e sudeste paraense, incluindo regiões ligadas às propostas de Carajás e Tapajós, buscam ampliar a influência territorial na próxima administração. O movimento ainda é embrionário e não representa uma decisão do futuro governador.
Não há declaração pública de Daniel Santos defendendo um novo plebiscito ou a criação dos estados. A expectativa das lideranças é que o apoio recebido nas urnas se traduza em maior participação nas decisões estaduais, embora ainda não haja uma articulação formal para transformar essa demanda em proposta concreta.
A descentralização administrativa aparece como fato público vinculado às conversas. A vice-governadora eleita, Ellayne D’Almeida, confirmou à imprensa a previsão de instalar uma unidade de seu gabinete em Santarém, com possibilidade de expansão para outras cidades. A proposta visa aproximar a administração do interior sem alterar os limites territoriais do estado.
Entre os aliados do futuro governo, João Salame presidiu a frente favorável à criação do Estado de Carajás no plebiscito de 2011, e o senador Zequinha Marinho também atuou em defesa da consulta sobre a divisão. No Oeste, a Câmara Municipal de Santarém registrou manifestação recente de um vereador em defesa do Estado do Tapajós.
Uma eventual adesão de Daniel Santos daria peso político ao tema, mas não autorizaria o governo estadual a promover a divisão. A legislação federal exige aprovação da população diretamente interessada por meio de plebiscito e do Congresso Nacional por lei complementar, abrangendo tanto o território que pretende se separar quanto a área que permaneceria no Pará.
