O Comando Vermelho (CV) consolidou, em seis anos, domínio territorial sobre a maior parte das favelas e conjuntos habitacionais de Manaus, estabelecendo-se como o principal ator no tráfico de drogas na Amazônia, conforme constatado em relatório da Global Initiative, e reafirmando sua posição hegemônica após vencer a disputa contra o PCC pela região amazônica.
Contexto Institucional e Histórico da Expansão Criminal na Amazônia
O estudo elaborado por Gabriel Funari, da Global Initiative, detalha que a expansão do Comando Vermelho na Amazônia ocorreu por meio de processos graduais de ocupação geográfica, assimilação de facções locais — como os remanescentes da Família do Norte — e adoção de um modelo organizacional flexível que priorizou a integração com o tráfico de ouro e mineração ilegal, além da corrupção sistêmica com instituições regionais.
A partir de 1990, o CV já operava como força dominante no Rio de Janeiro e buscava diversificar suas fontes de cocaína, rompendo com a dependência exclusiva às rotas bolivianas pelo Paraguai; sob a direção de Fernandinho Beira-Mar, firmou aliança estratégica com as Farc colombianas, trocando armas brasileiras por cocaína, o que permitiu a ampliação da rota do Solimões e consolidou sua presença na tríplice fronteira amazônica.
O Comando Vermelho controla mais de 70% das rotas de tráfico de drogas pela Amazônia, segundo o relatório da Global Initiative
Repercussão Jurídica e Estratégica das Relações Internacionais
As declarações oficiais da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas reconhecem a necessidade de reforçar operações integradas para conter a influência criminal nas áreas periféricas de Manaus, especialmente diante da celebração anual das queimas de fogos em 10 de fevereiro como demonstração ostensiva de poder.
Especialistas apontam que a adaptação do PCC à Amazônia reflete uma reconfiguração estratégica do crime transnacional, na qual facções buscam explorar fronteiras regionais porosas para ampliar rotas de exportação via Amapá e Belém.



