Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas na próxima terça-feira (3/11) para escolher os novos integrantes do Congresso em uma disputa que pode alterar o equilíbrio de forças em Washington e impor novos obstáculos ao governo de Donald Trump. As eleições de meio de mandato renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. O pleito ocorre em um momento de desgaste político do presidente republicano, com insatisfação relacionada ao custo de vida, à condução da economia, às tarifas comerciais e aos efeitos da guerra contra o Irã.
Embora Trump não esteja concorrendo à Presidência, o resultado terá consequências diretas para a segunda metade de seu mandato, que termina em janeiro de 2029. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 19 de outubro apontou que 66% dos norte-americanos desaprovam a administração republicana, enquanto 31% aprovam o desempenho do presidente. A política comercial, marcada pela ampliação do uso de tarifas sobre produtos importados desde o retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025, também se tornou um ponto de desgaste, provocando questionamentos judiciais e críticas de setores empresariais.
Os democratas enxergam oportunidade de recuperar espaço no Legislativo, já que os republicanos mantêm maioria estreita nas duas Casas. Na Câmara, os republicanos têm 218 cadeiras contra 214 da oposição, e pesquisa indica preferência de 47% dos eleitores por candidatos democratas ante 35% dos republicanos. No Senado, os republicanos possuem 53 assentos contra 47 do bloco democrata, e a oposição precisa conquistar quatro cadeiras para alcançar a maioria.
Uma eventual vitória democrata na Câmara pode comprometer a capacidade de Trump de aprovar novas medidas legislativas, pois a oposição passaria a comandar a pauta de votações e as comissões, além de ampliar mecanismos de fiscalização sobre o governo. No Senado, uma mudança de maioria dificultaria confirmações para cargos de alto escalão, embaixadores e integrantes do Judiciário federal. O resultado não determina a permanência de Trump na Presidência, mas pode redefinir os limites políticos de sua administração.



