Leão conquistou apenas oito pontos em 14 rodadas desde a retomada do Brasileirão, viu o rendimento despencar e chega à reta final com risco de rebaixamento de 99,45%.
Samara Miranda / Remo
O Remo voltou da paralisação para a Copa do Mundo de 2026 na zona de rebaixamento, mas com uma distância que ainda permitia sonhar com a permanência na Série A. No entanto, 14 rodadas depois, a situação se agravou. O Leão conquistou apenas oito dos 42 pontos disputados desde a retomada do Campeonato Brasileiro, registrando 19% de aproveitamento, desempenho que ajuda a explicar a aproximação de um possível retorno à Série B.
Na interrupção da competição, após a 18ª rodada, o clube paraense ocupava a 18ª colocação, com 18 pontos, quatro vitórias, seis empates e oito derrotas. O aproveitamento de 33,3% já indicava dificuldades, mas a distância para o Grêmio, primeiro time fora da zona de rebaixamento naquele momento, era de apenas três pontos.
O cenário mudou significativamente no segundo semestre. Desde o retorno do Brasileirão, o Remo venceu uma única partida, empatou cinco e perdeu oito. O rendimento caiu 14,3 pontos percentuais em comparação com as primeiras 18 rodadas. Mais do que a redução numérica, a sequência negativa impediu o clube de acompanhar a recuperação de adversários que também começaram a segunda metade da competição ameaçados.
Uma vitória que não teve continuidade
A retomada começou com uma derrota por 3 a 0 para o Corinthians, em São Paulo, no dia 23 de julho. Três dias depois, o Remo venceu o Vitória por 2 a 0, no Mangueirão, resultado que representava uma oportunidade de reação. Entretanto, aquele foi o único triunfo azulino nas 14 rodadas disputadas após a Copa do Mundo.
Desde então, o Leão acumula 12 partidas consecutivas sem vencer pelo Campeonato Brasileiro. Foram seis empates e seis derrotas, incluindo tropeços contra adversários diretamente envolvidos na disputa pela permanência, como Coritiba e Bahia.
A sequência também passou pela eliminação nas oitavas de final da Copa do Brasil. Diante do Santos, o Remo empatou sem gols fora de casa e perdeu por 1 a 0 no Mangueirão. Embora esses confrontos não entrem nas estatísticas do Brasileirão, ampliaram o período sem vitórias da equipe para 14 partidas considerando as duas competições.
Ataque produz menos e defesa continua vulnerável
A queda de rendimento aparece também nos números ofensivos e defensivos. Nas 18 rodadas anteriores à paralisação, o Remo marcou 21 gols e sofreu 29, médias de 1,17 gol feito e 1,61 sofrido por partida.
Depois da Copa, a equipe balançou as redes 13 vezes em 14 jogos, reduzindo a média ofensiva para 0,93 gol por confronto. A defesa sofreu outros 21 gols, média de 1,5 por partida. Embora tenha apresentado uma pequena melhora proporcional no número de gols sofridos, o setor defensivo não conseguiu compensar a redução da produção ofensiva.
A diferença também se reflete no saldo de gols. Antes da interrupção, o Remo tinha saldo negativo de oito gols. Desde a retomada, acumulou outros oito gols negativos, chegando a 34 marcados e 50 sofridos nas 32 rodadas disputadas.
Mudança de treinador não interrompeu a crise
A tentativa de recuperação também passou pelo banco de reservas. Thiago Carpini assumiu o comando técnico em setembro, mas ainda não conseguiu conquistar a primeira vitória à frente da equipe.
Desde a estreia, na derrota por 2 a 1 para o Santos, o treinador acumulou empates contra Grêmio, Vasco e Red Bull Bragantino, além de uma nova derrota diante do Cruzeiro. São três pontos em 15 possíveis, aproveitamento de 20%.
A falta de resultados positivos comprometeu principalmente a capacidade de reação do clube. Mesmo quando conseguiu evitar derrotas, como nos três empates consecutivos de outubro, o Remo não somou pontos suficientes para reduzir a diferença em relação aos concorrentes fora da zona de rebaixamento.
Distância para sair do Z4 triplicou
Se antes da Copa o Remo estava a três pontos de deixar a zona de rebaixamento, agora a distância é de nove pontos. O clube ocupa a 19ª colocação, com 26 pontos em 32 partidas, enquanto o Internacional, primeiro time fora do Z-4, soma 35.
A situação se tornou tão delicada que o Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta 99,45% de probabilidade de rebaixamento para a equipe azulina.
Restam seis partidas para o encerramento do Campeonato Brasileiro, e o Remo pode alcançar, no máximo, 44 pontos. Para atingir essa marca, precisaria vencer todos os compromissos restantes, uma missão que contrasta com o desempenho apresentado desde julho.
O próximo desafio será diante do Botafogo, na quarta-feira (28), às 21h30, no Mangueirão. Depois, o Leão enfrentará Palmeiras, Chapecoense, Athletico-PR, São Paulo e Corinthians. A matemática ainda permite a permanência, mas o desempenho após a Copa do Mundo mostra um clube que perdeu terreno justamente quando mais precisava reagir.
Remo antes e depois da Copa do Mundo
Antes da paralisação – 18 rodadas
Depois da paralisação – 14 rodadas



