O Índice de Conscientização sobre Violência contra Mulheres, divulgado em 23 de abril de 2026 pelo Instituto Natura e pela Avon com apoio do Movimento Pela Vida das Mulheres, revela que pelo menos um em cada cinco brasileiros já enfrentou imagens íntimas falsas geradas por inteligência artificial, evidenciando a crescente inserção da violência digital nas dinâmicas cotidianas brasileiras.
Diagnóstico Epidemiológico e Dimensionamento da Conscientização
A pesquisa de campo, conduzida pela Quiddity com amostra de 2.845 entrevistados entre 18 e 65 anos, aponta que 37% da população brasileira se localiza nos níveis 'alto' ou 'muito alto' de conscientização sobre violência contra mulheres em 2026 — oito pontos percentuais acima do registro de 2025 —, enquanto 68% dos respondentes reconhecem que a violência não distingue gênero, indicando persistente desinformação quanto à sua caráter estrutural.
O levantamento evidencia que os jovens de até 25 anos e os homens (28%) apresentam menor nível de percepção crítica em relação ao problema, contrastando com a maioria das mulheres (44%), e reforça a necessidade urgente de intervenções educativas direcionadas a perfis vulneráveis dentro do contexto digital em expansão.
Mais de um em cada cinco brasileiros já enfrentou imagens íntimas falsas geradas por inteligência artificial, sinalizando a normalização da violência digital contra mulheres.
Repercussão Institucional e Desafios na Aplicação das Medidas
As declarações da Secretaria Nacional da Mulher, vinculada ao Ministério da Cidadania, reforçam que o aumento de 37% na conscientização reflete tanto avanços na denúncia quanto persistentes barreiras institucionais, como o temor institucional (48%) de que medidas adotadas não efetivamente coíbam a violência pós-denúncia.
Diante do cenário, especialistas apontam para a urgência de políticas públicas integradas que conciliem o fortalecimento de canais de acolhimento especializado com campanhas educativas contínuas, especialmente diante do crescimento dos grupos radicais online que perpetuam discursos misóginos e normalizam o uso de deepfakes como ferramenta de intimidação.
A partir deste dado crítico, espera-se que iniciativas como o plano nacional contra violência digital, em consulta com o Ministério da Justiça e órgãos estaduais, sejam aceleradas para reduzir o acesso a ferramentas de IA capazes de produzir conteúdos íntimos falsos sem consentimento.



