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Política

“Estados Unidos do Brazil”: carta de teor golpista de Flávio Bolsonaro circulou com brasão antigo e passou por três versões

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Hoje às 19:11
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“Estados Unidos do Brazil”: carta de teor golpista de Flávio Bolsonaro circulou com brasão antigo e passou por três versões
Fatos Rápidos da Notícia
  • Documento divulgado por aliados do senador utilizou inicialmente um brasão adotado em 1889, com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, substituído em 1968, durante a ditadura militar
  • Uma carta de teor golpista divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) nesta quarta-feira (28) passou por três versões antes de chegar ao formato final. O documento, no qual o parlamentar chegou a se autoproclamar presidente eleito do Brasil, circulou inicialmente com um brasão antigo que trazia a inscrição “Estados Unidos do Brazil”. A divulgação ocorreu após a derrota do senador para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.
  • Na primeira versão da carta, Flávio Bolsonaro se apresentou como o verdadeiro vencedor da eleição presidencial, apesar de Lula ter sido reeleito com uma vantagem de aproximadamente 4,4 milhões de votos. “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, afirmou. O senador também acusou o processo eleitoral de irregularidades, mas não apresentou provas capazes de sustentar as alegações ou colocar em dúvida o resultado oficial.
Resumo Editorial

Documento divulgado por aliados do senador utilizou inicialmente um brasão adotado em 1889, com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, substituído em 1968, durante a ditadura militar

Documento divulgado por aliados do senador utilizou inicialmente um brasão adotado em 1889, com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, substituído em 1968, durante a ditadura militar

Uma carta de teor golpista divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) nesta quarta-feira (28) passou por três versões antes de chegar ao formato final. O documento, no qual o parlamentar chegou a se autoproclamar presidente eleito do Brasil, circulou inicialmente com um brasão antigo que trazia a inscrição “Estados Unidos do Brazil”. A divulgação ocorreu após a derrota do senador para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.

Segundo informações de O Globo, o documento foi enviado a jornalistas por Paulo Figueiredo, aliado de Flávio que vive nos Estados Unidos. Apenas 13 minutos depois, uma nova versão foi compartilhada, desta vez com o brasão oficial da República Federativa do Brasil. Ao encaminhar o arquivo atualizado, Figueiredo escreveu: “Versão com brasão correto”. O símbolo utilizado inicialmente remonta à Proclamação da República, em 1889, e permaneceu em uso até 1968, quando foi substituído durante a ditadura militar.

Flávio questiona resultado das eleições sem apresentar provas

Na primeira versão da carta, Flávio Bolsonaro se apresentou como o verdadeiro vencedor da eleição presidencial, apesar de Lula ter sido reeleito com uma vantagem de aproximadamente 4,4 milhões de votos. “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, afirmou. O senador também acusou o processo eleitoral de irregularidades, mas não apresentou provas capazes de sustentar as alegações ou colocar em dúvida o resultado oficial.

Entre os argumentos apresentados no documento está a prorrogação do horário de votação até as 19h, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pouco mais de 30 mil votos foram computados entre 17h e 19h, quantidade insuficiente para alterar o resultado da disputa. Flávio também acusou o governo Lula de abuso de poder político e econômico durante a campanha e defendeu a cassação da chapa adversária.

Após a circulação das primeiras versões, uma terceira edição da carta foi divulgada. Nela, o senador deixou de se apresentar como “verdadeiro presidente do Brasil” e passou a utilizar a expressão “líder do Brasil”. Apesar da mudança, o texto manteve os questionamentos ao resultado eleitoral e anunciou a intenção de comandar a oposição ao governo Lula a partir dos Estados Unidos. Flávio também agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo acolhimento após sua saída do território brasileiro.

No documento, o parlamentar afirmou que pretende manter contato frequente com seus apoiadores e apresentar, nos próximos dias, uma estratégia de mobilização política. “Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos”, declarou.

Saída do Brasil e chegada aos Estados Unidos

Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (28), após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina. De acordo com informações de O Globo, o governo argentino confirmou que o senador entrou no país às 22h50 de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na Argentina. Para atravessar a fronteira, ele utilizou um passaporte italiano.

Após entrar em território argentino, Flávio embarcou em uma aeronave com destino a Guayaquil, no Equador, de onde seguiu para o aeroporto de Opa-locka, na região de Miami, nos Estados Unidos. A saída ocorreu após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que havia determinado o cancelamento dos passaportes do senador a pedido da Polícia Federal (PF), diante do risco de fuga apontado nas investigações. Segundo as informações divulgadas, Flávio não entregou os documentos no prazo estabelecido pela Justiça.

Mesmo fora do país, o senador afirmou que continuará participando da articulação política da oposição e prometeu anunciar novas medidas de mobilização de seus apoiadores nos próximos dias.

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