O atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou considerar positiva uma eventual nomeação do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), para o comando do Ministério da Fazenda.
A possível escolha de Fonteles tem como justificativa a própria trajetória do político, mas analistas apontam que ele ainda precisará conquistar a confiança do mercado financeiro.
Segundo editora e analista de Economia da CNN Lucinda Pinto, no CNN 360°, o nome de Fonteles é bem visto. "Ele é considerado uma pessoa realmente preparada, um bom técnico, fez um bom mandato como secretário da Fazenda", afirmou.
No entanto, ela ressaltou que "ele não carrega em si aquela posição de fiador de uma política fiscal mais conservadora, mais reformista".
Reação do mercado
Lucinda Pinto explicou que o comportamento do mercado ilustra bem a ausência de um "choque de confiança" com a indicação de Fonteles. Segundo ela, havia uma reação favorável dos ativos antes do resultado eleitoral, baseada na expectativa de mudança na política econômica.
"O mercado entendia que tinha muito mais chance de Flávio Bolsonaro vencer e que com essa mudança de governo haveria a indicação de um nome muito forte, muito responsável do ponto de vista fiscal", explicou a analista.
Quando essas expectativas foram alteradas, o mercado sofreu uma queda expressiva na segunda-feira (26). "Depois a gente conheceu o nome do Fonteles, os mercados se acalmaram, mas não se recuperaram", acrescentou.
Comparação com Galípolo
A analista fez uma comparação entre a situação de Fonteles e a de Gabriel Galípolo, que também assumiu sob desconfianças do mercado. "O mercado não tinha no nome do Galípolo exatamente essa confiança, ele não era alguém visto como alguém que teria toda a autonomia para fazer a política monetária", lembrou Lucinda Pinto.
Com o tempo, porém, Galípolo conquistou credibilidade. "Foi uma credibilidade a duras penas. Ele precisou, inclusive, ser mais firme na política monetária para conseguir mostrar para o mercado que ele estava fazendo uma gestão técnica", disse. Para a analista, Fonteles pode percorrer caminho semelhante, ainda que não seja um trajeto fácil.
Risco político da indicação
O analista de Política da CNN Pedro Venceslau apontou que a eventual indicação de Fonteles representa uma aposta de risco. Isso porque, caso seja demitido do cargo, ele não retornaria ao governo do Piauí, já que teria aberto mão de um segundo mandato como governador eleito com 70,9% dos votos. "Já seria um desgaste ele ter que deixar o cargo para ser ministro", avaliou Venceslau.
Ainda assim, petistas consideram que Fonteles tem um perfil interessante para a pasta. "É dentro do PT alguém que é considerado alguém que conhece bastante de economia", afirmou Venceslau, destacando que Fonteles é formado em matemática, foi secretário da Fazenda do Estado e promoveu um ajuste fiscal durante essa gestão.
Antes disso, ele também mantinha um programa de orientação financeira na televisão e atuava como empresário. Venceslau descreveu Fonteles como uma liderança "pragmática e ecumênica", lembrando que, como governador, ele concedeu rodovias e a Companhia de Águas e Esgotos do Estado — medidas consideradas polêmicas por parte do PT.



