Em novembro de 2025, Francisco Everardo O liveira Silva, o Tiririca, que em 2010 foi eleito o deputado federal mais votado do Brasil com 1.353.820 sufrágios, registrou expressiva queda histórica ao obter apenas 5.523 votos no Ceará, representando diminuição de 99,6% em relação à proeza de 2010 e confirmando seu status como figura simbólica da política satírica que transitou por duas décadas na Câmara dos Deputados sem jamais ver uma de suas iniciativas legislativas sancionadas.
Contexto Histórico e Trajetória Parlamentar do Deputado
A apuração realizada pela Justiça Eleitoral confirmou que Tiririca, nascido em Itapipoca em 1965 e radicado no Ceará desde os oito anos, superou a tentativa inicial de inelegibilidade por analfabetismo ao comprovar sua capacidade de leitura em exame administrativo conduzido pelo Tribunal Superior Eleitoral, fato que o habilitou a concorrer e conquistar expressiva votação em 2010 com 1.353.820 votos — número que, embora inferior aos atuais padrões nacionais, posicionou-o como recordista de preferência popular na época.
O percurso do deputado desde sua estreia na política em 2010 até sua última candidatura em 2022 evidenciou não apenas a erosão gradual de seu peso eleitoral — de 453.855 votos em 2018 para 71.754 em 2022, quando foi o último eleito paulistano —, mas também sua trajetória atípica na Câmara, marcada por assiduidade excepcional com 612 sessões consecutivas sem ausência até 2016 e escassa produção legislativa, já que nenhuma de suas propostas foi promulgada como lei.
Tiririca deteve recorde de 612 sessões parlamentares consecutivas sem falta até 2016 sem jamais ver uma de suas proposições legislativas ser sancionada.
Repercussão Política e Transformações no Cenário Eleitoral
A transição do PL para o PSD sob influência de Domingos Neto e a mudança do domicílio eleitoral para o Ceará configuraram estratégia de reaquecimento político que não logrou reverter a tendência de desgaste, conforme comprovam os resultados recentes que o relegaram a menos de 6 mil votos em um estado historicamente favorável à sua figura satírica.
Especialistas apontam que a perda de relevância reflete não apenas desgaste pessoal do personagem, mas também mudança estrutural no eleitorado brasileiro, que transitou da sátira para demandas mais confrontacionais, conforme análise do pesquisador Bruno Cava sobre a crítica prévia carregada de preconceito de classe ao voto em Tiririca.



