Jason Morris, advogado especializado em uso do solo, dedica 70% de seu tempo ao assessoramento de projetos de data centers, um aumento significativo em relação aos 10% anteriormente empregados, em um cenário nacional no qual mais de 300 jurisdições em 44 estados dos Estados Unidos já adotaram moratórias contra a instalação desses equipamentos, consolidando-se como o principal campo de atuação jurídica para o setor em expansão acelerada.
Contexto Institucional e Evolução do Mercado de Data Centers
A transição na atuação profissional de Morris reflete uma mudança estrutural no mercado de tecnologia e direito, impulsionada pela proliferação de data centers hiperescala voltados à inteligência artificial, que demandam aprovações complexas de uso do solo, licenciamento ambiental e gestão de recursos hídricos e energéticos, enquanto cidades que antes viam esses projetos como extensões de edificações comerciais agora enfrentam pressões comunitárias e desafios regulatórios cada vez mais incisivos.
Antecedentemente focado em incorporadores e construtores residenciais, comerciais e industriais na região de Phoenix, Morris passou a ser requisitado por empresas tecnológicas e investidores que buscam navegar o emaranhado burocrático e judicial que envolve a instalação de data centers, um mercado que absorve trilhões em investimentos e se sustenta na crescente demanda por capacidade de processamento de IA, com especialistas apontando que a área tornou-se central nos debates municipais, legislativos e até eleitorais.
Mais de 300 jurisdições em 44 estados dos EUA já implementaram moratórias contra a instalação de data centers, sinalizando uma resistência generalizada a esses equipamentos em comunidades locais.
Repercussão Jurídica e Reconfiguração do Mercado Advocatial
A demanda crescente por advogados especializados em data centers gerou uma reconfiguração no mercado legal brasileiro e norte-americano, com grandes escritórios como Latham & Watkins, Perkins Coie e WilmerHale ampliando seus portfólios para incluir equipes dedicadas à infraestrutura digital, enquanto pesquisas da Bloomberg Law indicam que cerca de um terço dos grandes escritórios norte-americanos já conta com grupos de prática especializados nesse segmento.
Advogados de defesa coletiva têm atuado para obstaculizar projetos por meio de litígios que questionam impactos ambientais, ruído e consumo de água, enquanto representantes de investidores respondem a ações judiciais sobre uso do solo e licenciamento, com casos emblemáticos como o movejado por Laura Sheets em Michigan, que entrou com quatro denúncias por perturbação em quatro estados.



