No segundo trimestre de 2026, o consumo das famílias brasileiras registrou queda de 0,4% em relação ao primeiro trimestre, evidenciando um desaceleramento histórico da demanda interna e intensificando debates sobre a sustentabilidade do modelo econômico baseado em crédito barato e gasto excessivo.
Diagnóstico Econômico e Saúde Financeira Familiar
O s dados divulgados pelo Banco Central indicam que o endividamento doméstico atinge 82% da renda familiar, com inadimplência de 34,8% das famílias, índice que o próprio instituto considera histórico, com taxa de 4,9% no último levantamento.
A analista Rita Mundim destacou que o consumo, já em retração desde o pico do primeiro trimestre — impulsionado por pacotes de benefícios temporários — perdeu toda a tração, colocando em evidência a fragilidade do modelo de crescimento que depende da dívida para alimentar a demanda.
O comprometimento da renda com dívidas já chega a 30%, e chega a 84% nas classes mais baixas quando somados aos gastos básicos, indicando que famílias não têm margem para qualquer novo gasto.
Consequências e Caminhos para o Ajuste Fiscal
Segundo Mundim, o PIB brasileiro, embora positivo em termos agregados — impulsionado por exportações e investimento em ativos fixos — não reflete a realidade vivida pelas famílias, já que seu modelo de crescimento se baseia na distribuição de crédito e na expansão do endividamento.
O governo e o Banco Central têm sinalizado a necessidade de ajustes fiscais equilibrados e da adoção de juros mais racionais para evitar um colapso financeiro doméstico que pode corroer a estabilidade macroeconômica.



