Senador teve suposto deslocamento para a Argentina relatado por veículo local, mas aliados negam a viagem; parlamentar foi intimado a entregar os passaportes por determinação de Alexandre de Moraes.
A Polícia Federal (PF) procurou autoridades argentinas na manhã desta terça-feira (27) para apurar informações de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) teria deixado o Brasil em um avião particular. O relato foi publicado pelo site argentino Infobae durante a madrugada e também repercutiu na imprensa brasileira.
Segundo o Infobae, Flávio teria desembarcado na cidade de Puerto Iguazú, na Argentina, na noite de segunda-feira (26), em uma aeronave particular. A publicação identificou o avião como um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, registrado no país em nome da empresa Baires Fly SA desde setembro de 2020.
Informações do serviço de monitoramento de voos Flightradar24 apontam que a aeronave saiu de Buenos Aires, mas não apresentam registros de uma rota posterior que confirme o trajeto descrito pela publicação argentina.
A possibilidade de que o senador tenha deixado o país foi negada por aliados. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, afirmou que ele não saiu do Brasil. Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social durante o governo Jair Bolsonaro e advogado ligado ao senador, classificou o relato como “fake news”.
Senador foi intimado a entregar passaportes
A notícia sobre a suposta viagem surgiu no mesmo dia em que Flávio recebeu uma intimação para entregar os passaportes comum e diplomático à Justiça. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio afirmou que cumpriria a determinação e negou intenção de deixar o país.
“Nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, declarou.
O senador também relacionou a decisão judicial a declarações de seu irmão, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro. Segundo Flávio, a fala de Eduardo sobre a possibilidade de ele deixar o Brasil teria influenciado a medida de Moraes.
Eduardo havia afirmado que o irmão poderia ficar mais exposto a investigações após deixar o Senado e perder a imunidade parlamentar.
Até o momento, as informações divulgadas sobre a suposta viagem não confirmam, por si só, que Flávio tenha deixado o Brasil. A Polícia Federal busca esclarecimentos junto às autoridades argentinas.



