Daisy Cristina Bandeira, técnica de enfermagem de 36 anos, viveu em 2013 o desfecho traumático ao dar à luz Luiz Henrique, que aos 16 dias precisou ser intubado por bronquiolite grave provocada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e permaneceu 21 dias internado na UTI do Hospital Universitário de Brasília; 13 anos depois, ao completar 31 semanas de gestação das gêmeas Maria Clara e Maria Júlia, a mesma gestante recebeu a dose única da vacina contra o VSR, incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação da Gestante em dezembro de 2025, garantindo transferência transplacentária de anticorpos IgG e proteção efetiva nos primeiros meses de vida dos bebês, conforme comprovado pelo estudo MATISSE.
Contexto Histórico e Evolução da Vacinação Materna contra o VSR no SUS
A trajetória de Daisy Cristina Bandeira evidencia uma transição paradigmática na prevenção das infecções respiratórias inferiores em lactentes, passando da inexistência de opções públicas em 2013 para a incorporação sistemática da vacina bivalente recombinante ao Calendário Nacional em 2026, após anos de demanda técnica e validade científica demonstrada pelo estudo MATISSE que confirmou a eficácia da imunização passiva materna na redução de bronquiolite grave e pneumonia nos primeiros seis meses de vida.
O avanço ocorre em um cenário onde o VSR permanece responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite viral aguda e 40% das pneumonias em crianças menores de 2 anos, conforme dados da Sociedade Brasileira de Pediatria, sendo especialmente letal para prematuros, lactentes menores de 6 meses e crianças com comorbidades congênitas como Síndrome de Down ou cardiopatias cardíacas, perfis que concentram o maior risco de mortalidade relacionada ao vírus.
A vacinação materna contra o VSR no SUS, incorporada em dezembro de 2025, reduz significativamente o risco de bronquiolite grave e pneumonia em lactentes, protegendo os bebês nos primeiros seis meses de vida por meio da transferência transplacentária de anticorpos IgG.
Repercussão Institucional e Estratégias Futuras na Proteção Pediátrica
A ministra da Saúde, Nísia Trindade Lula, destacou que a inclusão da vacina contra o VSR no SUS representa um marco na política nacional de imunização infantil, ampliando o acesso a tecnologia avançada anteriormente restrita à rede particular com custo médio de R$ 1.8 mil por dose, o que equivalia a mais da metade do salário mínimo mensal em 2013.
Segundo a Febrasgo, a aplicação bivalente recombinante no terceiro trimestre estimula a produção materna de IgG específicas contra a proteína F do VSR, que atravessam a placenta garantindo proteção eficaz nos primeiros seis meses após o nascimento, sendo complementada pela indicação dos anticorpos monoclonais palivizumabe e nirsevimabe para grupos de risco como prematuros até 36 semanas e gestantes com comorbidades.


