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Pará

Um mês após incêndios, Maxakali enfrentam falta de água e roças destruídas

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Há 44 min
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Um mês após incêndios, Maxakali enfrentam falta de água e roças destruídas
Fatos Rápidos da Notícia
  • 3,5 mil hectares da Terra Indígena Maxakali foram queimados, atingindo 65% do território.
  • Fogo destruiu áreas de reflorestamento do Projeto Hãmhi, incluindo o jacarandá-da-Bahia, espécie ameaçada.
  • Comunidades enfrentam falta de água, roças perdidas e escassez de caça após as queimadas.
Resumo Editorial

Incêndios florestais devastaram grande parte da Terra Indígena Maxakali no Vale do Mucuri, deixando comunidades sem água, com plantações perdidas e áreas de reflorestamento destruídas, enquanto investigações sobre a causa das queimadas seguem inconclusas.

Cerca de 3,5 mil hectares da Terra Indígena Maxakali, localizada entre Bertópolis e Santa Helena de Minas, foram consumidos pelo fogo em outubro, afetando 65% do território e comprometendo a recuperação ecológica realizada pelo Projeto Hãmhi ao longo de três anos. As chamas destruíram árvores nativas, incluindo o jacarandá-da-Bahia, ameaçado de extinção, e deixaram nascentes desprotegidas, o que ameaça a qualidade da água e a produção de alimentos.

Kamila Paganelli, coordenadora técnico-pedagógica do projeto, relatou que famílias enfrentam falta de água e precisam recomeçar roças de batata, mandioca e frutas, além de lidar com a escassez de materiais para cobrir casas e a redução da caça. Rosângela Pereira de Dugne, professora da UFSB, alertou que a demora nas investigações policiais aumenta a vulnerabilidade dos indígenas diante de um histórico de violência e racismo.

O primeiro foco começou em 7 de outubro próximo a uma estrada usada por pessoas externas à comunidade e foi controlado em 10 de outubro; no dia seguinte, novas chamas surgiram em uma fazenda vizinha e só foram debeladas em 15 de outubro. Um áudio de tom zombeteiro associando os incêndios ao processo eleitoral viralizou na região e intensificou suspeitas sobre a origem criminosa das queimadas.

Diante dos prejuízos, representantes defendem a criação de um Plano de Manejo Integrado do Fogo com responsabilidades definidas entre municípios, estado e União para construção de aceiros e prevenção de novos incêndios. Paralelamente, uma vaquinha online organizada pela Teia dos Povos busca arrecadar R$ 100 mil para compra de sementes, mudas, preparo do solo e alimentação dos participantes dos mutirões de recuperação.

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