Cerca de 3,5 mil hectares da Terra Indígena Maxakali, localizada entre Bertópolis e Santa Helena de Minas, foram consumidos pelo fogo em outubro, afetando 65% do território e comprometendo a recuperação ecológica realizada pelo Projeto Hãmhi ao longo de três anos. As chamas destruíram árvores nativas, incluindo o jacarandá-da-Bahia, ameaçado de extinção, e deixaram nascentes desprotegidas, o que ameaça a qualidade da água e a produção de alimentos.
Kamila Paganelli, coordenadora técnico-pedagógica do projeto, relatou que famílias enfrentam falta de água e precisam recomeçar roças de batata, mandioca e frutas, além de lidar com a escassez de materiais para cobrir casas e a redução da caça. Rosângela Pereira de Dugne, professora da UFSB, alertou que a demora nas investigações policiais aumenta a vulnerabilidade dos indígenas diante de um histórico de violência e racismo.
O primeiro foco começou em 7 de outubro próximo a uma estrada usada por pessoas externas à comunidade e foi controlado em 10 de outubro; no dia seguinte, novas chamas surgiram em uma fazenda vizinha e só foram debeladas em 15 de outubro. Um áudio de tom zombeteiro associando os incêndios ao processo eleitoral viralizou na região e intensificou suspeitas sobre a origem criminosa das queimadas.
Diante dos prejuízos, representantes defendem a criação de um Plano de Manejo Integrado do Fogo com responsabilidades definidas entre municípios, estado e União para construção de aceiros e prevenção de novos incêndios. Paralelamente, uma vaquinha online organizada pela Teia dos Povos busca arrecadar R$ 100 mil para compra de sementes, mudas, preparo do solo e alimentação dos participantes dos mutirões de recuperação.
