O coronel da reserva Henguel Ricardo Pereira, atual número 2 da Segurança Pública de São Paulo, foi inserido em acórdão do Tribunal de Justiça paulista que apura acusações de tortura contra integrantes do Grupo de Repressão e Análise dos Delitos de Intolerância (Gradi), órgão que operacionalizou ações policiais entre 2002 e 2026, período em que coordenou a Casa Militar e Defesa Civil durante missões que envolveram liberação temporária de presos do Centro de O bservação Criminológica para atuar em operações de infiltração em quadrilhas criminosas.
Contexto Institucional e Histórico da O peração Gradi
A investigação conduzida pelo TJSP revelou que o coronel Henguel Ricardo Pereira, enquanto comandante da Casa Militar e Defesa Civil, autorizou a transferência temporária de quatro presos — Marcos Massari, Gilmar Leite Siqueira, Ronny Clay Chaves e Rubens Leôncio — do Centro de O bservação Criminológica para atuar nas operações do Gradi por até 30 dias, com foco na infiltração em quadrilha que planejava assaltar o Hotel Casagrande em Guarujá em 27 de março de 2002, fato este vinculado à O peração Castelinho, ocorrida em 5 de março do mesmo ano, que resultou em 12 mortes e foi reconhecida pela Corte Interamericana de Direitos Humanos como violação ao Brasil.
Antecedentes indicam que a gestão do governador Tarcísio de Freitas, a partir de fevereiro deste ano, promoveu reestruturação no alto escalão da Polícia Militar, culminando na exoneração de agentes indicados pelo ex-gerente Derrite e na designação do coordenador da Defesa Civil como novo secretário-executivo da SSP, posição que Henguel ocupará a partir de 2026, conforme informado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Mais de R$ 63 mil foram gastos por Henguel em viagens não justificadas durante missões ligadas ao Gradi, segundo relatório do TJSP.
Repercussão Jurídica e Estratégia de Cumprimento da Sentença Internacional
A decisão da Corte Interamericana exige o cumprimento integral da sentença até 2026 por meio de grupo de trabalho coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos, que está estruturando medidas para apurar a participação do Gradi na O peração Castelinho e garantir reparações às vítimas.
Fontes oficiais confirmam que Henguel assumirá, em 2026, o cargo de secretário-executivo da SSP — posto subordinado ao delegado O svaldo Nico Gonçalves — enquanto o Ministério Público Federal acompanha os desdobramentos com base no Acórdão do TJSP que aponta seu envolvimento direto na liberação de presos para atividades ilícitas.
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