A década de 2000 teve um rosto inconfundível na teledramaturgia brasileira. Priscila Fantin tornou-se uma das atrizes mais famosas e requisitadas do país, e tudo o que ela usava ditava tendência rapidamente. No entanto, a pressão do estrelato e a perseguição da mídia cobraram um preço alto, levando a artista a abrir mão de tudo para viver no anonimato.
A ascensão e o início em Malhação
A trajetória da artista na mídia começou ainda nos anos 1990. Trabalhando como modelo, ela chamou a atenção da TV Globo, mas chegou a recusar o convite da emissora três vezes antes de finalmente aceitar. O sucesso foi imediato quando ela assumiu o posto de protagonista em “Malhação“. Logo depois, ela emendou uma novela das sete e alcançou o papel principal no cobiçado horário das nove.


A consolidação de seu talento ocorreu quando a atriz começou a transitar por diferentes perfis de personagens. Priscila interpretou a sua primeira vilã na novela “Chocolate com Pimenta“. A personagem exigiu bastante da artista e a manteve em forte evidência na televisão brasileira.


O fenômeno Alma Gêmea
O auge absoluto da sua carreira se deu com a novela “Alma Gêmea“, obra onde Priscila se consagrou. A trama foi um verdadeiro fenômeno, registrando no horário das seis a mesma audiência de uma novela das nove. O sucesso com o público foi tão intenso que a atriz Flávia Alessandra, que vivia a vilã Cristina, chegou a ser agredida na rua.


O ponto de virada em Sete Pecados
O papel que mudaria de vez a sua vida pessoal veio logo em seguida, em “Sete Pecados“. Na trama, ela interpretava Beatriz, uma anti-heroína carregada pelos sete pecados capitais e que transitava por múltiplas personalidades. Priscila relatou que absorveu a energia e a personalidade pesada da personagem no dia a dia, passando a viver no automático e perdendo a capacidade de diferenciar a ficção da realidade.


O peso da fama e a saúde mental
Nessa mesma época, a atriz havia se tornado o principal alvo de todos os autores e grandes marcas, sendo o rosto oficial da Globo. O assédio dos paparazzi era constante e qualquer frase fora de contexto virava manchete imediata. Essa pressão externa, somada à carga da novela “Sete Pecados”, resultou em graves crises de pânico e ansiedade. Priscila foi diagnosticada com depressão crônica. O quadro piorou ao ponto de ela não conseguir sair de casa ou usar um elevador por se sentir constantemente perseguida. A atriz definiu o momento com clareza: ou ela parava, ou morria.
A renúncia aos grandes papéis
Priorizando a sua própria sobrevivência, a artista precisou dizer não para grandes oportunidades da emissora. Ela precisou recusar um convite para atuar na novela “Caras & Bocas“. Além disso, tomou a decisão drástica de rejeitar a personagem Maya, que foi a grande protagonista do sucesso “Caminho das Índias“.


A vida longe dos holofotes
Atualmente, Priscila Fantin encontrou a paz longe do exagero e do assédio. Ela abdicou de ser ainda mais rica e famosa para viver com plenitude. Quando a sua saúde mental estabilizou, ela aceitou voltar a atuar na televisão, mas escolhendo propositalmente papéis menores, sem uma carga de trabalho exaustiva e sem a superexposição do passado. A artista reforça que ainda ama atuar, mas mantém um verdadeiro pavor da fama exacerbada que enfrentou no auge da carreira.
Fonte: eucocozani
- Estagiário sob supervisão de Clayton Matos

