o dia 11 de junho deste ano, uma operação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com apoio da Força Nacional de Segurança Pública, provocou tensão entre produtores rurais e agentes federais na zona rural de São Félix do Xingu, na região conhecida como Terra do Meio, sudeste do Pará. O episódio ocorreu durante uma ação de apreensão de gado na Estação Ecológica da Terra do Meio.

O episódio – que tem se repetido em diferentes cidades do Estado nos últimos anos – amplia o debate sobre fiscalização ambiental, segurança jurídica e os limites da atuação dos órgãos federais em áreas protegidas – problemas que poderiam, em grande parte, ser resolvidos com o processo de rastreabilidade do gado paraense.
Estudo aponta saída
De acordo com a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, associação multissetorial sem fins lucrativos que reúne representantes de toda a cadeia de valor da pecuária brasileira, a rastreabilidade pode contribuir para ampliar sanidade, garantir transparência, destravar mercados e preparar a pecuária brasileira, em especial no Pará, onde está um dos maiores rebanhos do país, para o novo ciclo de exigências mundial.
Por isso a entidade lançou o estudo “Incentivos à rastreabilidade na pecuária do Pará”, produzido pela equipe técnica da Agroicone com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS). O material reúne análises inéditas e propõe caminhos para que o Brasil, especialmente o Pará, avance de forma estruturada rumo a um sistema de rastreabilidade mais inclusivo, eficiente e competitivo.
“Ao conectar rastreabilidade, regularização e produtividade, a entidade aponta um modelo de desenvolvimento que beneficia pequenos, médios e grandes produtores e fortalece a competitividade da carne brasileira no
mercado nacional e internacional. A expectativa é que as recomendações apresentadas se tornem referência para políticas públicas e iniciativas privadas, impulsionando um setor mais eficiente, transparente e sustentável no Pará e em todo o país”, afirmou a presidente da associação, Ana Doralina Menezes.
De conflitos e ganhos
A expectativa é que a medida também minimize os conflitos que vêm se repetindo no Estado nos últimos anos. Isso porque, segundo o estudo, a rastreabilidade, aliada a políticas públicas consistentes e à integração entre governo, indústria e produtores, pode destravar um ciclo virtuoso de regularização, eficiência produtiva e inclusão.
A iniciativa surge num momento em que o Pará, detentor de 10% do rebanho nacional, enfrenta desafios estruturais, como baixa produtividade, entraves fundiários e ambientais e dificuldade de acesso ao crédito, realidade que ainda mantêm milhares de produtores afastados de mercados mais exigentes, não só no Pará, mas em todo o País.
A pesquisa aponta que o Pará reúne uma combinação de desafios e potencialidades que justificam sua priorização. Com mais de 2,6 milhões de hectares passíveis de intensificação e cerca de 70 mil imóveis rurais, o Estado tem condições de acelerar ganhos de produtividade e fortalecer a governança territorial a partir de muitas ações no campo, entre elas, a rastreabilidade.
A partir de 2027
Com a retomada do debate sobre a obrigatoriedade nacional a partir de 2027, por meio do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, e diante da pressão de mercados internacionais, de exigências sanitárias mais rigorosas e da demanda crescente por comprovação socioambiental, a rastreabilidade voltou ao centro da agenda da pecuária.
Ao mesmo tempo, a realidade de muitos pecuaristas paraenses ainda é marcada por insegurança jurídica, escassez de assistência técnica e dificuldades de adequação às normas socioambientais. Por isso mesmo, o estudo defende que a rastreabilidade precisa ser vista não como um mecanismo de punição, mas como um instrumento de oportunidade.
Resultados práticos
Entre as recomendações feitas pelo estudo está a criação de uma plataforma integrada de rastreabilidade, unindo informações sobre sanidade, origem, conformidade ambiental e movimentação animal. A ferramenta permitiria direcionar assistência técnica de forma mais eficiente, reduzir custos de transação e aproximar produtores de instrumentos financeiros, certificações e mercados formais.
Com isso, segundo o estudo, a rastreabilidade tende a se consolidar como uma exigência central da pecuária moderna, influenciando acesso a mercados, crédito, programas de assistência técnica e futuras políticas nacionais. Isso significa que, para o produtor, haverá maior previsibilidade, valorização de boas práticas, oportunidades comerciais e acesso mais facilitado a instrumentos financeiros voltados à sustentabilidade.
Papo Reto

•A professora Anette Vernaschi Toppan (foto) afirma ser a verdadeira criadora do PIX. A ferramenta teria sido registrada em 2014 com o nome de “Tá Pago”.
•Em 2016, o sócio dela teria procurado o Banco Central para regularizar o sistema, mas o que viu foi o próprio BC lançar ferramenta semelhante, em 2020.
•Toppan move ação contra o BC e pede indenização por danos morais e materiais, reconhecimento de direitos autorais e pagamento de royalties e de exploração de bens intangíveis.
•O Banco Central nega as acusações e afirma que muitos sistemas semelhantes já funcionavam no País quando a professora criou o dela.
•A China incluiu duas mineradoras dos EUA de terras raras em sua lista de controle de exportações, que já tem oito empresas de tecnologia.
•A medida é uma resposta ao Pentágono, que vetou empresas chinesas por suposta ligação com o Exército de Libertação Popular.
•A Acnur, agência da ONU para refugiados, está mobilizando equipes, empresas e recursos para socorrer a Venezuela, abalada por um forte terremoto.
•A agência afirma que a resposta do governo ainda está concentrada nas operações de busca e resgate, no atendimento médico de emergência e na avaliação dos danos.
•Dados do Ministério do Turismo mostram que Campina Grande (PB), Caruaru (PE), Mossoró (RN), São Luís (MA), Aracaju (SE) e Salvador (BA) seguem como destinos mais procurados nesta quadra junina.
•Jogo do Brasil também representa economia de energia no País. Na partida contra a Escócia, na quarta, 24, o consumo despencou assim que o jogo começou.
•De acordo com o Operador do Sistema Elétrico, até o fim do primeiro tempo, o consumo caiu 9.058 MW – o equivalente à soma das cargas médias de Pará e Rio de Janeiro.

