A PF (Polícia Federal) apreendeu na última quinta-feira (18), durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero, dinheiro em espécie e itens de alto valor em endereços ligados ao senador Jaques Wagner (PT-BA), em Brasília e na Bahia.
Foram apreendidos pela corporção cerca de 55 mil dólares (R$ 284,1 mil) e 33 mil euros (R$ 196,3 mil) em espécie, além de 13 relógios.
O montante foi encontrado no quarto de um hotel da capital federal onde o petista costuma se hospedar quando está em Brasília.
A investigação encontrou indícios de que o senador teria recebido vantagens econômicas indevidas de gestores do Banco Master, em especial do empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no banco liquidado.
Entre as vantagens elencadas na representação encaminhada ao STF (Supremo Tribunal Federal), estão o uso gratuito de jatos particulares vinculados a Augusto Lima ou ao Banco Master, o recebimento de ingressos de shows internacionais, pagamentos destinados a uma empresa ligada ao núcleo familiar do parlamentar e a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador.
O imóvel, um apartamento do edifício Poème Horto, em Salvador (BA), é o item mais relevante segundo a corporação. De acordo com a PF, em novembro de 2024, o senador enviou ao sócio do banco Master o contato de um gerente da construtora responsável pelo empreendimento, informando que a unidade custava R$ 2,45 milhões.
A investigação apura se a aquisição do imóvel foi feita por meio de estruturas societárias e financeiras interpostas ligadas ao grupo investigado.
Mesmo com a deflagração da operação e diversos questionamentos, o presidente Lula (PT) ainda não se manifestou a respeito das investigações contra o líder de seu partido na Casa Alta.
Nesta sexta-feira (19), durante um evento em Belo Horizonte (MG) para anunciar investimentos no Hospital Luxemburgo, uma pergunta a respeito da operação foi feita ao mandatário enquanto ele se aproximava da plateia. Ao ouvir o questionamento, Lula acenou com um “joia”, mas não respondeu se pretende manter Jaques na liderança.
Em nota, o senador disse que nunca atuou em favor do Banco Master e que o dinheiro apreendido pela PF é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais.
Leia a nota completa abaixo:
“O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas.
Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.
Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá”.

