A febre da Copa do Mundo sempre traz de volta grandes relíquias da nossa música, e desta vez o motivo é o refrão que está grudado na cabeça dos torcedores: “Sené, Sené, Senegal…”.
Com a seleção de Senegal brilhando nos gramados mundiais, a internet resgatou o clássico “Canto Para o Senegal”, gravado nos anos 80 pela lendária Banda Reflexu’s. Mas por onde andam os pioneiros que abriram as portas para a música baiana no resto do Brasil e do mundo? Fomos atrás dos registros da imprensa baiana para te contar o que aconteceu com o grupo.
O Fenômeno que Dominou o Brasil
Formada em Salvador no final de 1986, a Banda Reflexu’s foi um verdadeiro divisor de águas. Eles foram um dos primeiros grupos de samba-reggae a conseguir projeção nacional, quebrando barreiras antes mesmo do estouro do Axé Music como o conhecemos hoje.
Com letras focadas na valorização da ancestralidade, na história e na cultura afro, a banda estourou com os hits “Madagascar Olodum”, “Alfabeto do Negão” e, claro, o hino que voltou a ecoar agora, “Canto Para o Senegal”, imortalizado na voz marcante do vocalista Julinho Cavalcanti. Naquela época, o trio de frente formado por Marinêz, Julinho e Marquinhos rodava os programas de maior audiência da TV brasileira, como Chacrinha, Globo de Ouro e Clube do Bolinha.
O fim do ciclo e por onde andam os vocalistas
Como acontece com muitos grupos que atingem o topo muito rápido, divergências e o desgaste natural da estrada levaram a mudanças na formação original no início dos anos 90. Após seis anos de intenso sucesso, viagens e grandes micaretas pelo país, a vocalista Marinêz decidiu deixar o grupo. A banda chegou a continuar com outros integrantes por um tempo, mas o peso da formação clássica era insubstituível.
Mas se engana quem acha que a história deles parou no tempo. De acordo com o jornal baiano Correio, os integrantes seguiram caminhos distintos, mas nunca abandonaram a música:
Marinêz
A cantora agora investe no gênero Gospel e atende pelo nome de Marinez de Jesus:
Julinho Cavalcanti
O Legado Vivo no Pelourinho
A prova de que a Banda Reflexu’s é eterna está na própria movimentação cultural da capital baiana. O grupo continua sendo homenageado e, recentemente, foi escalado para grandes encontros de gerações na programação do Festival Pelourinho Cultural, dividindo o palco com novos nomes da cena soteropolitana, como o grupo ATTOOXXA.
Graças ao futebol e às redes sociais, as novas gerações agora redescobrem que, muito antes de Senegal virar assunto nas mesas de debate esportivo, a Bahia já cantava e reverenciava a sua história.
Seja nos estádios ou nos vídeos que viralizam no TikTok, o eco de “Sené, Sené, Senegal” mostra que a identidade construída pela Reflexu’s é, de fato, atemporal.

