Em uma região historicamente pressionada pelo avanço do desmatamento, a proteção da floresta amazônica tem contado com uma combinação cada vez mais sofisticada de tecnologia e presença humana. Em Paragominas, no sudeste do Pará, equipes de monitoramento percorrem milhares de quilômetros de motocicleta todos os meses para vigiar uma extensa área de floresta nativa protegida pelo Projeto Ybyrá REDD+, iniciativa da Carbonext voltada à redução das emissões de carbono decorrentes do desmatamento e da degradação florestal.


O projeto reúne 74 propriedades rurais e protege 76.481 hectares de floresta amazônica inseridos no chamado Arco do Desmatamento, faixa territorial que concentra alguns dos maiores índices de perda florestal do país. Para enfrentar essa pressão constante, a estratégia adotada une monitoramento remoto por satélite, inteligência geoespacial e rondas terrestres realizadas em motocicletas.
A proposta é simples, mas eficiente: enquanto os satélites identificam alterações na cobertura vegetal e geram alertas em tempo real, as equipes em campo verificam as ocorrências, observam possíveis ameaças e registram evidências diretamente no território.
4 mil kms em um mês
A escala da operação impressiona. Em apenas um mês, as rondas podem ultrapassar 4 mil quilômetros percorridos — distância equivalente a uma viagem do extremo Norte ao Sul do Brasil em linha reta. Em determinados dias, os agentes chegam a percorrer quase 400 quilômetros por estradas vicinais, acessos entre fazendas e trechos de difícil circulação, marcados por poeira, buracos e longas distâncias.
Antes de cada saída, as rotas são cuidadosamente planejadas para cobrir áreas consideradas prioritárias, levando em conta alertas do monitoramento remoto, condições das estradas e pontos estratégicos de observação.
“Na ronda, a gente precisa ir além do trajeto. É preciso observar a estrada, as entradas de mata, os sinais pelo caminho e registrar tudo com atenção. Muitas vezes também encontramos pegadas e outros vestígios de animais”, relata Elivelton Rafael, agente da Geomaster, empresa parceira da Carbonext responsável pela operação de campo.
Mais do que uma simples patrulha, as equipes funcionam como os olhos da conservação dentro da floresta. Ao longo dos percursos, são observados acessos indevidos, vestígios de circulação humana, clareiras abertas ilegalmente, sinais de queimadas e outros indícios que possam representar ameaça ao território protegido.
Esse trabalho de verificação presencial complementa os dados obtidos pelos satélites e ajuda a eliminar dúvidas causadas por fatores como nuvens, sombras ou alterações naturais da paisagem. O resultado é um sistema de vigilância mais preciso, capaz de produzir informações detalhadas sobre o que realmente acontece na floresta.
Vestígios de animais silvestres
As rondas também revelam outro aspecto importante da conservação: a presença da biodiversidade amazônica. Pegadas, rastros e outros vestígios de animais silvestres são encontrados com frequência ao longo das estradas e trilhas monitoradas, evidenciando a relação direta entre a proteção da floresta e a preservação da fauna.
A tecnologia desempenha papel central nessa operação. Durante as rondas, os agentes utilizam o aplicativo QuickCapture, da plataforma ArcGIS, para registrar fotografias, coordenadas geográficas e ocorrências georreferenciadas. As informações são classificadas por categorias como invasão, fogo, abertura de estradas e outros eventos relevantes.
Os registros alimentam uma base digital integrada ao CarbonEye, sistema desenvolvido pela Carbonext para monitoramento contínuo das áreas protegidas. A plataforma cruza dados de campo com informações de satélite, fortalecendo a rastreabilidade das ações e ampliando a capacidade de resposta diante de ameaças ambientais.
Segundo Mariana Abreu, coordenadora de Projetos REDD+ da Carbonext, a combinação entre tecnologia e presença em campo é fundamental para garantir a credibilidade das iniciativas de conservação.
“Em projetos REDD+, a integridade depende de monitoramento consistente, documentação e capacidade de resposta. O campo traz contexto, confirma evidências e ajuda a transformar observações dispersas em informação estruturada para a gestão do território. Quando a presença em campo se conecta a ferramentas de rastreabilidade, o projeto ganha mais robustez e transparência”, afirma.
Em um momento em que o Pará ocupa posição de destaque nas discussões globais sobre mudanças climáticas e preservação da Amazônia, experiências como a do Projeto Ybyrá mostram que a conservação florestal vai muito além das imagens de satélite. Ela depende de planejamento, tecnologia, logística e da atuação diária de profissionais que percorrem milhares de quilômetros para garantir que a floresta continue em pé.Sobre a Carbonext
A Carbonext é uma empresa brasileira especializada em soluções baseadas na natureza para combate às mudanças climáticas. Atua no desenvolvimento de projetos de REDD+, reflorestamento e agricultura sustentável, gerando créditos de carbono de alta integridade ambiental. Com sede em São Paulo e escritório em Belém, a empresa também atua em inventários de emissões, mercado de carbono e soluções ESG, buscando aliar inovação tecnológica, conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico das comunidades locais.

