O Transplante de Medula Óssea (TMO) vem ampliando as chances de cura de pacientes oncológicos atendidos pelo Hospital Ophir Loyola (HOL), em Belém, referência em alta complexidade no Pará e único centro da Região Norte habilitado a realizar o procedimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O serviço especializado atende pacientes com diferentes tipos de câncer hematológico, como leucemias, linfomas e mieloma múltiplo, além de alguns tumores sólidos específicos, consolidando-se como um dos principais avanços da oncologia no estado.
Segundo o coordenador do serviço de Transplante de Medula Óssea do HOL, doutor Thiago Xavier, o procedimento representa uma etapa decisiva no tratamento de muitos pacientes. “O transplante é uma etapa essencial para aumentar as chances de cura ou potencializar os resultados do tratamento. Em determinados casos, quando o procedimento não é realizado, o risco de mortalidade pode ser significativo”, explicou o médico.
O especialista destacou ainda que novas aplicações da terapia vêm sendo estudadas para doenças neurológicas e reumatológicas, ampliando as perspectivas futuras do tratamento. Atualmente, pacientes de diferentes regiões do Pará são encaminhados ao hospital após avaliação de oncologistas e hematologistas que identificam a necessidade do transplante durante o tratamento convencional.
Novas aplicações e encaminhamento de pacientes
Após o encaminhamento, os pacientes passam por exames clínicos e avaliação multiprofissional para garantir segurança na realização do procedimento. O tratamento inclui transplantes autólogos, quando a medula é do próprio paciente, e alogênicos, quando o material vem de um doador compatível. A internação dura, em média, 30 dias, período em que são realizados os protocolos específicos e o acompanhamento intensivo para controle de infecções e efeitos do tratamento.
Após a alta hospitalar, os pacientes seguem em reabilitação e, em cerca de 90 dias, muitos já apresentam recuperação significativa. O atendimento no HOL envolve equipe médica especializada, enfermagem capacitada, além de suporte psicológico, odontológico e assistência social. “A atuação conjunta das equipes permite olhar o paciente de forma integral, considerando tanto os aspectos clínicos quanto às necessidades emocionais e sociais”, ressaltou Thiago Xavier.
Recuperação e impacto na vida dos pacientes
A professora e nutricionista Denise Miranda, de 29 anos, é uma das pacientes que passaram pelo transplante no hospital. Diagnosticada com Linfoma de Hodgkin Clássico após identificar um caroço no pescoço e apresentar sintomas como febre, coceira na pele e dores nas costas, ela integrou os primeiros grupos atendidos pelo serviço. “O transplante mudou minha vida, me deu saúde, acabou com o câncer”, afirmou.
Denise também relatou os desafios emocionais enfrentados após o tratamento. “Viver o pós é viver ainda com medo de uma recidiva, mas é maravilhoso. Eu estou viva”, declarou. Hoje recuperada, ela retomou a rotina e celebra a qualidade de vida conquistada após o procedimento. Além de reduzir a necessidade de deslocamento para outros estados, o serviço oferecido pelo HOL permite que os pacientes realizem o tratamento próximos da família.
“Ter esse serviço disponível dentro do Pará reduz custos, facilita o acesso e proporciona mais segurança ao paciente em um momento tão delicado”, destacou o médico. O hospital estuda agora a ampliação do número de leitos e a implantação de novas terapias celulares para aumentar a capacidade de atendimento e reduzir o tempo de espera dos pacientes.

