O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (10) que não assinará um projeto de lei bipartidário sobre acessibilidade à moradia, que ele chamou de “um grande tédio”, mas a medida pode se tornar lei mesmo sem sua assinatura.
Trump escreveu em uma postagem nas redes sociais que estava recusando assinar “em PROTESTO contra o fato de que o Senado dos Estados Unidos não é capaz de aprovar a LEI SALVE A AMÉRICA“.
O projeto de lei sobre habitação foi um raro exemplo de acordo bipartidário sobre uma legislação importante no Congresso profundamente dividido. Entre suas principais disposições estão a isenção ou agilização de avaliações ambientais para projetos de construção de moradias e a imposição de um limite ao número de casas unifamiliares já construídas que grandes investidores de Wall Street podem possuir.
Em 29 de junho, Trump chamou o projeto de lei de “um grande tédio” em comparação com a legislação eleitoral. Uma pessoa a par do assunto disse à agência Reuters que Trump provavelmente deixará o projeto de lei sobre habitação se tornar lei sem sua assinatura. Se isso ocorrer, ele entraria em vigor automaticamente no sábado.
Trump cancelou abruptamente uma cerimônia de assinatura do projeto de lei marcada para 24 de junho a fim de pressionar os republicanos a aprovarem a lei chamada pelo presidente de Salve a América, que exigiria comprovação de cidadania para o registro eleitoral e criaria um banco de dados nacional de eleitores utilizando registros estaduais. Trump há muito tempo afirma, falsamente, que há fraude generalizada nas eleições dos EUA.
A legislação permite que republicanos e democratas no Congresso, bem como aqueles que concorrem a vagas no Senado e na Câmara dos Deputados, recebam algum crédito por agirem para conter o alto custo de vida —uma questão que ocupa o primeiro lugar entre as preocupações dos eleitores na corrida para as eleições de meio de mandato de novembro.
Mas os colegas republicanos de Trump podem agora ter mais dificuldade em se gabar disso, dada a recusa dele em sancionar o projeto de lei. “Os republicanos preferem tornar mais difícil votar do que mais fácil comprar uma casa”, disse o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, em uma postagem nas redes sociais.
Os republicanos, em particular, precisam mostrar avanços na questão do custo de vida. Os democratas vêm atacando Trump por impor tarifas sobre importações estrangeiras, o que elevou o custo de bens de consumo e de insumos agrícolas.
A guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, iniciada por ele em 28 de fevereiro, criou um gargalo no transporte marítimo no Oriente Médio, elevando os preços da gasolina para os americanos. Trump também se uniu aos republicanos do Congresso ao se recusar, no ano passado, a prorrogar um subsídio à saúde, resultando em preços mais altos de serviços médicos e menor disponibilidade de atendimento para milhões de pessoas.
No entanto, Trump classificou a lei de moradia como “sem importância” em comparação com o outro texto de seu interesse. Ele também se referiu às preocupações com a acessibilidade financeira como “uma farsa”.

