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Trump usa antigo Air Force One durante ataque ao Irã – 08/07/2026 – Mundo

O novo avião presidencial dos Estados Unidos, um Boeing 747-8I executivo dado de presente pelo Qatar e reformado às pressas para atender ao gosto de Donald Trump, não se saiu muito bem em sua primeira missão ao exterior.

Ele levou o presidente a Ancara, capital turca, onde ele participou da reunião de cúpula da aliança militar Otan na terça-feira (7) e quarta (8).

Na hora de voltar a Washington, contudo, a nova aeronave foi deixada para trás e o serviço foi feito até o Reino Unido pelo antigo Air Force One, um Boeing 747-200B com quase quatro décadas de uso.

Enquanto estava em Ancara, Trump ordenou ataques renovados ao Irã, país que faz fronteira com a Turquia. Além disso, os novos bombardeios ordenados nesta noite de quarta ocorreram enquanto ele ainda estava no ar.

O custoso avião qatari não tem os sistemas de defesa que o modelo anterior ostenta, e é incerto que o mesmo nível de comunicação segura em caso de guerra. Entre os equipamentos de proteção, há contramedidas eletrônicas, sistemas antimíssil e iscas para enganar eventuais projéteis lançados contra o avião.

Em entrevista coletiva, Trump foi questionado se o motivo da troca havia sido o temor pela segurança. Ele disfarçou, dizendo que é o primeiro na lista de nomes a serem assassinados pelo regime do Irã, país que atacou ao lado de Israel no fim de fevereiro.

Sobre o avião, disse que ele seria levado “a duas ou três bases” americanas na Europa para que “os soldados possam vê-lo, pois é realmente magnífico”. Depois, postou que ele já havia voado antes a Mildenhall, no Reino Unido, para a tal visitação, e publicou uma foto de militares da unidade à frente da aeronave.

O embarque imediato para Washington sugere que o republicano estava disfarçando o tempo todo, mas o emprego do antigo Air Force One levanta questionamentos acerca do gasto e das capacidades como novo modelo. “Não houve mudança na rota”, escreveu, como se isso mudasse o fato de que dois aviões foram envolvidos.

O Air Force One, Força Aérea Um em português, é a designação de qualquer avião operado por este ramo das Forças Armadas em que esteja o presidente. No seu primeiro mandato, Trump encomendou em 2018 à Boeing substitutos para os dois 747-200B de sua frota.

Enfrentando uma crise na sua área de aviação civil, a empresa não conseguiu cumprir o prazo de entregar os dois 747-8I modificados em 2024 —a nova data é 2029, quando o mandato de Trump expira em janeiro.

A Boeing admitiu ter perdido metade do equivalente hoje a R$ 15 bilhões do projeto até aqui devido à complexidade técnica de instalar todos os sistemas de segurança do avião, que também precisa ter uma pintura resistente ao calor de explosões nucleares distantes.

No ano passado, Trump provocou polêmica ao aceitar o presente do emir do Qatar, uma aeronave estimada no mercado em pouco mais de R$ 2 bilhões. Primeiro, seria uma doação pessoal, mas depois a Casa Branca achou por bem entregar o avião à Força Aérea.

Ele se transformou no Air Force One Bridge, ou ponte em inglês, indicando sua interinidade até a chegada dos dois irmãos mais novos e seguros. O problema, colocado à vista na primeira viagem internacional, é justamente a insegurança do modelo em ambientes contestados.

A aposentadoria dos modelos anteriores se justifica no custo de manutenção e operação, na casa dos R$ 1,2 milhão a hora-voo. Isso é sete vezes mais que o de um 747-8 comercial. Além disso, os 747-200B não têm mais peças de reposição.

O “retrofit” do avião qatari, que incluiu a pintura num esquema de cores sugerido por Trump que rompeu com a tradição do esquadrão que serve ao presidente, foi feito por estimados R$ 5 bilhões pela americana L3Harris Technologies. O aparelho foi entregue para uso no mês passado.

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