A ONU informou nesta segunda-feira (29) que está providenciando 10 mil sacos para cadáveres como parte do planejamento da resposta ao terremoto que devastou a Venezuela. A informação foi dada por Gianluca Rampolla del Tindaro, coordenador humanitário da organização internacional no país.
A fala demonstra que as autoridades e os organismos internacionais trabalham com a expectativa de um número de mortos superior ao balanço oficial divulgado até agora, de 1.719 óbitos.
“Estamos definitivamente olhando para um número maior do que o já divulgado”, afirmou Rampolla del Tindaro. “Posso dar um indicador aproximado… Estamos adquirindo, e isso foi acordado com as autoridades locais, 10 mil sacos para cadáveres.”
Segundo ele, a compra dos sacos para cadáveres representa “uma estimativa de planejamento”. “É muito triste”, completou.
O terremoto provocou destruição em larga escala. De acordo com o representante da ONU, ao menos 2.500 estruturas foram afetadas, e “a maioria delas desabou completamente”. O cenário dificulta o acesso das equipes de emergência e aumenta o risco de que ainda haja um grande número de vítimas sob os escombros.
Falando de Caracas, Rampolla del Tindaro afirmou que sobreviventes ainda estão sendo retirados dos escombros.
“Já passamos da janela crítica de 72 horas, mas este é um dos milagres deste país: os socorristas ainda estão conseguindo retirar pessoas com vida”, disse. “Somente ontem, sete pessoas foram retiradas dos escombros.”
Dezenas de equipes internacionais e centenas de socorristas foram mobilizados, enquanto as autoridades correm contra o tempo para encontrar sobreviventes presos sob os destroços.
O coordenador afirmou que a ONU trabalha “em estreita colaboração com a equipe dos EUA” e que o governo venezuelano segue liderando uma operação de grande escala, ainda concentrada principalmente nas atividades de busca e resgate.
Paralelamente, as agências humanitárias começam a ampliar os esforços para atender a população desalojada, distribuir suprimentos e organizar abrigos temporários.
A situação, no entanto, pode se agravar nas próximas horas. Rampolla del Tindaro alertou que uma onda tropical, sistema meteorológico que provoca chuvas intensas, deve atingir a Venezuela em breve.
“Vocês podem imaginar o que isso significa para os desabrigados”, afirmou.
Além de aumentar o sofrimento de milhares de pessoas que perderam suas casas, a previsão de chuva também ameaça dificultar as operações de resgate, tornar áreas já instáveis ainda mais perigosas e atrasar a chegada de ajuda às regiões mais afetadas pelo desastre.

