staff da Escola de Samba Beija-flor de Nilópolis, do Rio de Janeiro, estará no Pará na primeira semana de julho para uma imersão no Marajó. O arquipélago é o território de origem da pajé Zeneida Lima, personagem escolhida como tema do samba-enredo para o carnaval de 2027.

Com isso, a Beija-flor tenta repetir o feito de 1998, quando conquistou o título do carnaval carioca com o tema “Pará – O Mundo Místico dos Caruanas nas Águas do Patu-Anu”. O enredo levou à Marquês de Sapucaí a pajelança marajoara e a cultura das entidades místicas da ilha.
O desfile foi inspirado no livro “O Mundo Místico dos Caruanas da Ilha do Marajó”, lançado em 1992 e que marcou o primeiro encontro entre Zeneida e a agremiação. Agora, quase 30 anos depois, a Beija-Flor retoma essa conexão sob uma nova perspectiva, com foco na própria história de vida da líder espiritual.
As novas inspirações
Para 2027, o tema será “Zeneida: o sopro do pó de louro”, assinado por João Vitor Araújo, em parceria com os pesquisadores Guilherme Niegro, Bruno Laurato e Vivian Pereira. Desta vez, a história de Zeneida será contada de forma mais direta, apresentando na avenida detalhes de sua atuação como ambientalista, compositora, poeta, escritora e uma das últimas representantes vivas dos saberes ancestrais marajoaras.
Em Belém, no mês de julho, o presidente da escola, Almir Reis, será recebido por representantes da Secretaria de Turismo do Estado, que dará todo apoio estrutural e operacional para a equipe da Beija-flor em Belém e no Marajó. A agremiação possui 15 títulos no carnaval carioca, sendo o mais recente conquistado em 2025, e o Marajó, com seus mistérios e encantos, será inspiração para que a escola chegue ao 16º triunfo.
Este é o segundo ano consecutivo que o Pará será homenageado na Marquês de Sapucaí. Em 2026, a Grande Rio levou para a avenida o enredo “Pororocas Parawaras: as águas dos meus encantos nas contas dos curimbós”, que rendeu à escola o terceiro lugar na classificação geral.
Quem é Zeneida Lima
Nascida em Soure, no Marajó, Zeneida Lima é a última pajé marajoara viva. Ela também é compositora, escritora, poeta, ativista social e líder da Instituição Caruanas do Marajó Cultura e Ecologia, que atende quase 200 crianças e adolescentes com educação, música, dança e preservação ambiental.
Aos 91 anos, Zeneida é reconhecida internacionalmente pela preservação dos saberes ancestrais e pela atuação social e ambiental na Amazônia. No cinema, sua história foi retratada no no filme “Encantados”, dirigido por Tizuka Yamasaki.
Em 2021 ela recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade do Estado do Pará, em razão de sua contribuição para a cultura, a educação e a preservação dos saberes tradicionais da Amazônia.
Zeneida conta que a pajelança surgiu na infância, quando foi raptada por ‘seres encantados’ e desapareceu por mais de 10 dias em um processo de iniciação. “De lá para cá, eu fui iniciada como pajé e com 12 anos eu já trabalhava com isso, curando as pessoas”, afirmou a curandeira.

