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Dossiê da prefeitura admite ao MPF que saúde está doente e escancara a crise

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 crise na saúde pública de Belém ganhou mais um capítulo constrangedor. Em documento encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), a própria prefeitura reconhece que o serviço de neurologia e neurocirurgia do Hospital Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti é essencial para salvar vidas e evitar sequelas graves, mas admite, na prática, que a insuficiência desse atendimento compromete diretamente a assistência prestada à população.  

 

Prefeitura reconhece que serviço de neurologia do PSM é essencial, mas atendimento compromete serviços/Fotos: Divulgação.

O relatório, elaborado em resposta a questionamentos do MPF, descreve um cenário numérico incompatível com qualquer interrupção do serviço.

Por esses dados, o PSM realizou quase 30 mil atendimentos de urgência e emergência apenas entre janeiro e março deste ano, média superior a 80 pacientes por dia, atendendo não apenas Belém, mas também municípios da Região Metropolitana e do interior do Estado.  

A própria gestão municipal destaca que o hospital é referência para Acidente Vascular Cerebral (AVC), traumatismos cranianos, crises convulsivas e outras emergências neurológicas, casos em que minutos podem determinar a sobrevivência ou a incapacidade permanente do paciente.

Onde mora a crise

O trecho mais contundente do documento está na análise dos prejuízos causados pela demora na avaliação neurológica. A prefeitura lista, entre as consequências, agravamento dos quadros clínicos, aumento do risco de sequelas permanentes, perda da chamada “janela terapêutica” para tratamento de AVC, maior ocupação de leitos de UTI, aumento da mortalidade e crescimento da judicialização da saúde.  

A contradição salta aos olhos. Enquanto o município reconhece oficialmente a importância estratégica da neurologia, o serviço tem enfrentado dificuldades recorrentes para manter minimamente a cobertura, mas que ainda está longe de atender a população de forma adequada. 

Sem assistência real

Os próprios números anexados ao dossiê mostram que, em mais de um ano analisado, foram registrados apenas 32 atendimentos de urgência realizados por neurologistas clínicos, enquanto a maior parte da assistência especializada ficou concentrada em neurocirurgiões vinculados à cooperativa.  

O documento também confirma que o PSM possui habilitação para atendimento neurológico e neurocirúrgico, inclusive como unidade de referência para AVC, estrutura que, em tese, deveria garantir assistência contínua e especializada à população. Na prática¸ porém, nem os números falam essa língua.

A revelação ocorre em um momento especialmente delicado para a saúde municipal. Nos últimos meses, o PSM enfrentou paralisações de anestesiologistas, protestos de especialistas e denúncias relacionadas a atrasos de pagamento. Agora, é a própria administração que produz um documento demonstrando que a ausência ou insuficiência de neurologistas não representa apenas um problema administrativo, mas um risco direto à vida dos pacientes.

Crise recorrente

O documento que admite falhas pela própria prefeitura é só indicador de que a interrupção dos serviços não é um fato isolado. Em 7 de abril deste ano, os anestesiologistas já haviam realizado uma paralisação pelos mesmos motivos, denunciando atrasos nos repasses e a falta de regularidade nos pagamentos. O movimento atingiu procedimentos cirúrgicos e expôs a dependência da rede municipal em relação a profissionais contratados por meio de cooperativas e empresas terceirizadas.

O histórico de problemas também alcança a neurocirurgia, que no último dia 1º. de junho anunciou paralisação dos médicos, justamente na especialidade que aparece como peça-chave no dossiê encaminhado ao MPF.  Aliás, os neurocirurgiões, que atualmente atuam em regime de sobreaviso e atendimento à distância para dar suporte às unidades de saúde, já promoveram diversas paralisações nos últimos meses em razão da inadimplência. 

E quem ajudará?

A repetição das suspensões evidencia que a crise financeira na saúde municipal deixou de ser episódica para se tornar um problema estrutural, com reflexos diretos na assistência e na segurança dos pacientes. Em outras palavras, a prefeitura entregou ao Ministério Público um diagnóstico difícil de contestar: o hospital que atende AVC, traumas cranianos e emergências neurológicas não pode funcionar sem neurologia. A pergunta que permanece é por que, mesmo sabendo disso, a gestão ainda não conseguiu assegurar a estabilidade do serviço.

Papo Reto

Segundo Helder Barbalho (foto), a tendência do MDB é liberar os diretórios estaduais para decidirem suas alianças em 2026. O governador também sinalizou apoio à reeleição de Lula.

•Ex-ministro das Cidades, Jader Filho afirmou defender que as eleições de 2026 ocorram dentro da normalidade democrática e com a preservação dos avanços institucionais das últimas décadas.

Segundo o vice-presidente do STJ, Luis Felipe Salomão, o principal desafio da Justiça Eleitoral nas eleições de outubro será garantir respostas rápidas a fraudes e irregularidades capazes de comprometer o equilíbrio da disputa.

•Cotado para eventual composição de chapa com Ronaldo Caiado, Gilberto Kassab afirmou sentir-se honrado por ter o nome lembrado, mas disse que qualquer definição ocorrerá “na hora certa”.

A empresária Luiza Trajano afirmou que a ampliação da presença feminina em cargos de liderança segue como prioridade do Grupo Mulheres do Brasil. A meta declarada é alcançar paridade de gênero nos espaços de decisão até 2030.

•A Polícia Civil de São Paulo deflagrou operação contra ONG ligada à produtora do filme sobre Jair Bolsonaro. A investigação apura suspeitas de fraude e desvio em contrato de wi-fi da Prefeitura paulistana.

O Psol acionou o STF cobrando regulamentação para exploração de terras raras no Brasil. A ação cita ausência de regras claras para minerais estratégicos ligados à transição energética global.

•O Google decidiu manter o veto à veiculação de anúncios eleitorais pagos nas eleições de 2026 no Brasil. Com isso, candidatos, partidos e federações continuarão impedidos de impulsionar propaganda política na plataforma de busca e no YouTube.

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