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Filhotes de peixe-boi são resgatados no oeste do Pará | Pará

Dois filhotes de peixe-boi-da-Amazônia foram resgatados na região do Baixo Amazonas, no Oeste do Pará, e encaminhados ao Instituto Igarapé Nhamundá, em Oriximiná, onde recebem cuidados especializados para reabilitação. O primeiro animal foi encontrado no domingo (21), no Lago Maria Pixi, localizado na divisa entre a zona rural dos municípios de Oriximiná e Terra Santa. O segundo foi resgatado na segunda-feira (22), em Óbidos, após ser avistado por pescadores nas margens do Rio Amazonas.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) atuou no suporte técnico e administrativo ao processo, com a emissão das autorizações de transporte dos animais e a confecção dos termos de depósito. O órgão também orientou o alinhamento entre as instituições parceiras envolvidas na operação, incluindo apoio veterinário e prestação de serviços necessários ao atendimento dos filhotes.

O Instituto Igarapé Nhamundá mantém Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com a Semas e atua em uma região contemplada pelo Acordo de Pesca do Igarapé Nhamundá, política pública que fortalece a conservação da biodiversidade, o ordenamento do uso dos recursos naturais e a participação das comunidades locais na proteção da fauna aquática.

Segundo o secretário-adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental da Semas, Rodolpho Zahluth Bastos, o caso demonstra a importância da integração entre comunidades, instituições ambientais e políticas públicas de conservação.

“O resgate desses filhotes mostra como a proteção da fauna amazônica depende de uma rede articulada, com participação das comunidades, dos órgãos municipais, das instituições parceiras e do Estado. A Semas atua para garantir segurança técnica e legal nesse processo, apoiando os fluxos necessários para que os animais recebam atendimento adequado. Também reforça a importância dos Acordos de Pesca como instrumentos de conservação, educação ambiental e valorização dos territórios”, destacou Rodolpho Zahluth Bastos.

A primeira filhote recebeu o nome de Pixi, a pedido dos comunitários da região onde foi encontrada. Ela foi localizada por um morador da Comunidade São Sebastião do Lago Maria Pixi, identificado como Diego Gato, que acionou comunitários ligados à base física do Projeto SOS Peixe-Boi-da-Amazônia. A mobilização envolveu moradores de diferentes comunidades, evidenciando o engajamento local na proteção da espécie.

A segunda filhote foi chamada de Lurdinha, em homenagem à cientista Lurdinha Bastos. O animal foi encontrado em Óbidos, onde, segundo relatos repassados à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, permaneceu por cerca de três dias boiando próximo à orla do município. Inicialmente, foi levado ao Mercado Municipal do Peixe e colocado em uma caixa d’água de mil litros. Em seguida, a Semma de Óbidos disponibilizou uma piscina para acomodação provisória e organizou a transferência para o Instituto Igarapé Nhamundá, em Oriximiná.

De acordo com a equipe técnica, Pixi apresenta bom estado de saúde, está ativa, responsiva e se alimentando adequadamente, com evolução positiva desde a chegada ao instituto. Já Lurdinha inspira maiores cuidados. Por ter passado um período prolongado sem alimentação adequada, além de ter sido exposta a estresse e possíveis contaminantes, o quadro clínico é mais delicado e o prognóstico permanece reservado.

Para Thadeu Cantão, analista ambiental e biólogo da Gerência de Fauna, Pesca e Aquicultura, vinculada à Coordenação de Saneamento e Biodiversidade da Diretoria de Licenciamento Ambiental da Semas, o atendimento rápido e coordenado é fundamental para ampliar as chances de recuperação de filhotes de peixe-boi.

“Filhotes de peixe-boi exigem cuidados muito específicos, especialmente nas primeiras etapas do atendimento. A resposta precisa envolver transporte autorizado, local adequado para recebimento, acompanhamento veterinário, alimentação controlada e monitoramento constante. Quanto mais organizado for esse fluxo entre as instituições e as comunidades, maiores são as chances de reabilitação e, futuramente, de retorno desses animais ao ambiente natural”, explicou Thadeu Cantão.

Importância ecológica

O peixe-boi-da-Amazônia é uma espécie essencial para o equilíbrio dos ambientes aquáticos da região. Herbívoro, o animal se alimenta de plantas aquáticas e contribui para a dinâmica dos rios, lagos e áreas alagadas, ajudando na manutenção dos ecossistemas e na circulação de nutrientes. A conservação da espécie também está diretamente relacionada à saúde dos ambientes de várzea e à proteção da biodiversidade amazônica.

A educadora ambiental e integrante da equipe administrativa do Instituto Igarapé Nhamundá, Cecília, destaca que os resgates também refletem uma mudança de percepção das comunidades sobre a importância da espécie.

“Temos recebido, com frequência, vídeos e relatos enviados por comunitários registrando a presença de peixes-boi em áreas onde antes esses animais eram alvo da caça predatória. Alguns desses registros são feitos por moradores que, no passado, participavam da caça da espécie. Isso demonstra uma mudança gradual na percepção da população local sobre a relevância da conservação do peixe-boi e sobre o papel que ele desempenha no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos da Amazônia”, afirmou.

Ela também ressalta que os Acordos de Pesca têm papel estratégico nesse processo, por incluírem o peixe-boi entre as espécies protegidas e promoverem ações de educação ambiental voltadas à conservação da fauna e à manutenção dos estoques pesqueiros.

Os próximos passos no atendimento aos filhotes incluem a continuidade dos cuidados intensivos, com alimentação a cada três horas, suplementação nutricional, administração de medicamentos quando necessário e monitoramento permanente dos parâmetros clínicos e comportamentais. As equipes também acompanham ganho de peso, aceitação alimentar e condições gerais de saúde, com o objetivo de garantir o desenvolvimento adequado dos animais e ampliar as chances de sucesso no processo de reabilitação.

A expectativa das instituições envolvidas é que o fortalecimento das ações de educação ambiental e o engajamento comunitário contribuam para reduzir ocorrências associadas à caça predatória e permitam que mais filhotes permaneçam em segurança no ambiente natural, favorecendo a reprodução da espécie e a conservação da biodiversidade amazônica.

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