A Amazon foi acusada de retaliar três funcionários que participaram de audiências públicas em Seattle, nos Estados Unidos, defendendo a criação de regras para novos data centers na cidade. A denúncia foi apresentada nesta quinta-feira (18) ao Escritório de Direitos Civis de Seattle por meio do grupo Amazon Employees for Climate Justice, organização independente formada por empregados da companhia.
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Segundo a queixa, a empresa abriu investigações internas e informou aos trabalhadores que eles poderiam sofrer medidas disciplinares após os depoimentos. Em um dos casos, a advertência teria incluído a possibilidade de demissão. O grupo afirma que a conduta representa uma tentativa de intimidação e viola as proteções da legislação local contra discriminação por crenças políticas.
Funcionários participaram de audiências sobre data centers
Cinco profissionais de tecnologia ligados ao Amazon Employees for Climate Justice participaram de diferentes audiências realizadas pelo Conselho Municipal de Seattle e por seus comitês. Os depoimentos ocorreram em meio ao debate sobre a expansão de data centers e o crescimento da infraestrutura necessária para atender à demanda por computação em nuvem e inteligência artificial.
A discussão ganhou força na cidade após a divulgação de que quatro desenvolvedores procuraram a concessionária municipal para avaliar a construção de cinco grandes data centers em Seattle. Embora menores do que os grandes complexos de IA que vêm sendo construídos em outras regiões dos Estados Unidos, os projetos seriam significativamente maiores do que as instalações já existentes na cidade.
Durante as audiências, os funcionários defenderam que Seattle estabelecesse condições para a aprovação de novos empreendimentos. Entre as sugestões apresentadas estavam a exigência de novas fontes de energia renovável, a limitação de subsídios públicos, a proibição de acordos de confidencialidade entre a prefeitura e os desenvolvedores e a criação de mecanismos de transparência sobre o consumo de água e energia.

Darius Irani, engenheiro de software da divisão de supermercados da Amazon desde 2021, afirmou em uma audiência realizada em 3 de junho que a cidade deveria definir regras para garantir que futuros data centers contribuam para os objetivos desejados pela comunidade. Ele também sugeriu o aproveitamento do calor gerado pelos chips para aquecer edifícios próximos.
Empresa abriu investigações após votação
Em 9 de junho, o Conselho Municipal aprovou por unanimidade uma moratória de um ano para novos grandes data centers, período que será utilizado para desenvolver regulamentações específicas.
De acordo com a denúncia, no dia seguinte representantes da área de relações com funcionários da Amazon realizaram reuniões individuais com três trabalhadores e informaram que eles estavam sendo investigados em razão dos depoimentos prestados nas audiências públicas.
Irani afirmou ter sido questionado repetidamente sobre o conteúdo de suas declarações e sobre quais outros empregados da empresa estiveram presentes nos encontros. Já Patrick Schloesser, engenheiro de software da Amazon Web Services desde 2020, disse que foi chamado para uma reunião sem aviso prévio e informado sobre a investigação após participar de duas audiências no início de junho.
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Os dois funcionários contestam a alegação de que poderiam ter violado a política corporativa de comunicações da empresa ao se apresentarem como representantes da Amazon. Segundo eles, houve cuidado para deixar claro que falavam como cidadãos e não em nome da companhia.
O que diz a Amazon?
A Amazon afirmou que possui políticas semelhantes às de outras empresas que impedem funcionários de falar em nome da organização sem autorização prévia.
Em comunicado ao New York Times, a porta-voz Margaret Callahan declarou que, após analisar a forma como os empregados se apresentaram e como suas declarações foram interpretadas por terceiros, surgiu a possibilidade de que eles estivessem falando como funcionários da Amazon, e não apenas como cidadãos privados.
A representante também afirmou que a empresa não permite comportamentos retaliatórios e que a investigação poderá ou não resultar em medidas, dependendo das conclusões obtidas. Segundo ela, não há planos para demitir os funcionários envolvidos.
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Antes do início das investigações, a companhia já havia informado a veículos de imprensa que respeitava o direito de seus empregados expressarem suas opiniões e que não possuía planos de construir data centers dentro dos limites da cidade de Seattle.
O Olhar Digital entrou em contato com a Amazon. Esta matéria será atualizada em caso de retorno da empresa.
Próximos passos da denúncia
A reclamação solicita que o Escritório de Direitos Civis de Seattle investigue o caso. Caso o órgão conclua que existe causa razoável para acreditar que houve discriminação, as partes terão uma semana para tentar chegar a um acordo.
Se não houver entendimento, o processo poderá ser encaminhado ao escritório do procurador da cidade e posteriormente a um juiz de direito administrativo, que poderá determinar medidas corretivas ou compensações financeiras.
Ana Luiza Figueiredo
Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
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