No último dia 14 de setembro, o deputado federal Júlio Cesar, do PSD do Piauí, determinou a exoneração do ex-secretário parlamentar Wilson Marques Campelo de seu gabinete, em decisão que se insere no contexto de investigações em curso sobre o uso de intermediários em contratos públicos, com especial foco na figura do filho do ex-assessor, Wilson Marques Campelo Júnior, preso pela Polícia Civil do Piauí no dia 10 deste mês por envolvimento em esquema de desvio de recursos públicos.
Contexto Institucional e Estratégia de Atuação Política
A apuração jornalística revelou que Wilson Marques Campelo, pai do PM Wilson Marques Campelo Júnior, figura central em uma oficina denominada WMC Jr Auto Center — aberta em novembro de 2024 e registrada em nome do filho — recebeu repasses da construtora C. M. Tax Comércio Ltda., totalizando R$ 1.423.450,19 nos exercícios de 2025 e 2026, conforme comprovantes bancários analisados pela coluna.
O ex-secretário parlamentar percebia salário mensal de R$ 1,7 mil, valor que contrastava com a suspeita de uso de sua posição para intermediar favorecimentos em licitações já programadas antes dos certames oficiais, com base em acordos prévios entre concorrentes para garantir resultados favoráveis à construtora e à própria estrutura familiar envolvida.
A construtora pagou R$ 1.423.450,19 em 2025 e 2026 à oficina fantasma WMC Jr Auto Center, administrada pelo filho do ex-secretário parlamentar.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos da Investigação
A decisão do deputado Júlio Cesar se deu após formalização de procedimento interno na Câmara dos Deputados e notificação oficial da Polícia Civil do Piauí sobre o envolvimento do ex-secretário em atos que poderiam configurar abuso de poder político e participação ilícita em esquema de lavagem de dados.
Especialistas em direito administrativo apontam que o caso pode gerar ação civil pública por improbidade administrativa, com pedido de ressarcimento aos cofres públicos e eventual inabilitação política para os envolvidos.
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