Na noite da terça‑feira (28/9), o ministro Luiz Fux, ao chefiar o Supremo Tribunal Federal, anulou integralmente os efeitos da decisão proferida pelo ministro Flávio Dino, que havia suspendido a ordem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que impedia a disseminação de publicações que atribuíam ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Desdobramento da Decisão Judicial e o Contexto do Processo
A análise documental revelou que a ordem de Flávio Dino, publicada em 27/9, suspendeu temporariamente as publicações que alegavam que o candidato pretendia retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do país, medida considerada incompatível com a jurisprudência eleitoral vigente; o STF, por unanimidade, reconheceu a ausência de fundamento legal para a interdição e determinou o restabelecimento imediato das determinações do TSE, mantendo as ressalvas previamente estabelecidas no processo.
Nos autos, o TSE havia determinado a suspensão de conteúdo que poderia configurar desinformação eleitoral, em especial aquelas que associavam o candidato a uma ação de revisão simbólica da matriz religiosa nacional; a decisão do STF, baseada em pareceres da Procuradoria‑Geral da República e da Advocacia‑Geral da União, reforça a autonomia do órgão eleitoral para regular a veracidade das informações durante o período eleitoral.
A decisão devolve ao TSE a plena autoridade para regulamentar publicações que envolvam símbolos religiosos em campanha eleitoral, com prazo de 24 horas para as plataformas.
Repercussão Institucional e Próximas Diretrizes
O ministro Fux destacou que a medida visa preservar a imparcialidade do processo eleitoral, impedindo que decisões unilaterais de ministros do TSE comprometam a transparência das urnas e o direito dos candidatos à livre manifestação; representantes das plataformas X, Meta (Facebook), ByteDance (TikTok) e Google foram notificados oficialmente e têm prazo de 24 horas para adaptar seus algoritmos de moderação ao cumprimento integral das ordens judiciais.
Especialistas em direito eleitoral apontam que a manutenção das determinações do TSE cria precedentes importantes para futuras intervenções digitais, enquanto representantes das plataformas manifestaram compromisso de adequar seus sistemas em tempo hábil, sob risco de sanções administrativas previstas no Código Eleitoral e nas normas da Anistia Eleitoral.



