O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) instaurou inquérito que apura suspeitas de crimes licitatórios, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa imputados ao candidato ao governo do Rio, Douglas Ruas (PL), com base em movimentações contratuais de R$ 12,23 milhões vinculadas à Saur e à EBL Participações e Empreendimentos Ltda., conforme documento de instauração de 15 de julho deste ano.
Investigação Criminal e Contexto Jurídico da Apuração
A investigação, desenvolvida sob sigilo no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e inicialmente revelada pelo O, identificou que a Saur adquiriu três imóveis entre 2023 e 2025 — dois localizados em Duque de Caxias e um em São Gonçalo — totalizando R$ 7,4 milhões, com movimentações contratuais que atingem R$ 12,23 milhões, dos quais R$ 9,8 milhões estão associados à EBL Participações e Empreendimentos Ltda.
O s fatos foram consolidados por meio da análise de escrituras registradas entre 31 de janeiro de 2023 e 27 de maio de 2025, o que ampliou o escopo da apuração para incluir também a aquisição do imóvel em São Gonçalo, negociado em sociedade entre a Saur e a Normandia Empreendimentos e Participações, empresa vinculada ao deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ), presidente estadual do Partido Liberal.
O total das movimentações contratuais alcança R$ 12,23 milhões, com R$ 9,8 milhões diretamente ligados à EBL Participações e Empreendimentos Ltda., empresa central nos negócios investigados.
Repercussão Institucional e Desdobramentos Processuais
A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi acionada para analisar a competência do Supremo Tribunal Federal (STF) em razão do foro privilegiado atribuído a Altineu Côrtes, enquanto o caso segue sob sigilo no TJRJ sob relatoria do desembargador Carlos Santos de O liveira, com a defesa de Douglas Ruas ainda não formalmente pronunciada.
A auditoria do governo do Rio sobre contratos firmados durante a gestão da Secretaria Estadual das Cidades — quando Ruas comandou a pasta sob o governador Cláudio Castro — revelou obrigações superiores a R$ 702 milhões com consórcios liderados pela FP Vieira Engenharia, incluindo subcontratação da Mineração Santa Edwiges, empresa da família de Altineu Côrtes.



