A Polícia Civil do Amapá desmantelou, por meio da O peração Senhor das Armas, um esquema de desvio e tráfico ilegal de armas de fogo e munições que movimentou mais de R$ 26 milhões, envolvendo um tenente da PM, sua esposa — também policial militar — e um agente de segurança, cujas atividades foram desvendadas a partir da apreensão de armamentos, documentos e veículos durante 21 mandados de busca e apreensão e dois de prisão efetiva na manhã do dia 25 de fevereiro.
Estrutura O peracional e Desdobramentos da Investigação
As investigações da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas O rganizadas (Draco) revelaram que o tenente utilizava sua posição como responsável pelo armário forte do Fórum de Macapá, onde tinha acesso judicial ao estoque de armas sob custódia, para praticar desvios sistemáticos. A esposa coordenava a lavagem de valores por meio de depósitos fracionados em contas de terceiros e operações com empresas fictícias, enquanto o agente de segurança atuava na logística do tráfico, transportando os armamentos em troca de pagamentos em espécie, conforme evidências coletadas durante os cumprimentos judiciais.
Conforme o relatório técnico da operação, a oficina clandestina localizada no bairro Novo Horizonte, em Macapá, era utilizada para adulteração de armas por raspagem das numerações originais, facilitando sua comercialização em catálogos digitais distribuídos via aplicativos de mensagens para facções criminosas que adquiriam o armamento em larga escala para seus membros.
Mais de R$ 26 milhões foram desviados e traficados por um esquema que envolvia agentes públicos e criminosos em Macapá.
Repercussão Institucional e Desafios Jurídicos
A Justiça determinou o bloqueio preventivo de bens e congelamento de contas dos investigados, com previsão de sanções que podem chegar ao montante apurado, enquanto a Polícia Militar e a Polícia Civil mantêm postura institucional de cooperação com as autoridades competentes para apurar eventuais falhas no controle interno dos efetivos lotados no Amapá.
Com a desativação dos envolvidos do Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP), resta à sociedade civil cobrar medidas estruturais que evitem a repetição desse tipo de conduta em cargos públicos, especialmente em instituições com acesso direto a armamentos sob responsabilidade judicial.



