Na contínua tensão entre o Judiciário e os interesses políticos eleitorais, a campanha de Flávio Bolsonaro vive ameaça de retaliação institucional por parte de ministros do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal, em decorrência da crise envolvendo o ministro Flávio Dino e o inquérito sobre desvios de emendas destinadas à produção do filme Dark Horse, com indícios de que uma ação policial contra o candidato poderia ocorrer até a eleição, conforme sinalizado em 7 de setembro durante ato na Avenida Paulista.
Contexto Institucional e Estratégico da Campanha
A investigação conduzida pelo ministro Flávio Dino, relator no inquérito das emendas para o filme Dark Horse, acendeu o alerta interno da campanha do senador, que já antecipava risco de represália institucional por parte da Corte ou da PF até a eleição, em função do desgaste político gerado pela suposta utilização de verbas públicas para fins particulares, conforme revelado pela troca de mensagens entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, documentada por André Mendonça.
A estratégia defensiva adotada por Flávio Bolsonaro inclui a prevenção de uma 'terceira facada' — após a tentativa de criminalização de seu pai em 2018 e sua própria prisão prevista para 2025 — com possíveis medidas judiciais motivadas por colaborações premiadas no âmbito da ADPF 635, conhecida como 'ADPF das Favelas', que investiga a violência policial no Rio de Janeiro e conta com apoio de aliados políticos fluminenses próximos ao senador.
A campanha de Flávio Bolsonaro teme que uma ação policial motivada pela crise do inquérito Dark Horse possa ocorrer até a eleição, colocando em risco sua candidatura à presidência.
Repercussão Jurídica e Cenários Futuros
A defesa do filme apresentou 21 mil páginas de documentos à PF sem detalhar os gastos nos Estados Unidos, principal foco da apuração sobre possíveis desvios de emendas estatais, enquanto o ministro Flávio Dino determinou a restituição do comando da Polícia Federal a Andrei Rodrigues, reforçando a proximidade entre o Executivo da PF e as investigações em curso.
Com base nas negociações em curso na ADPF 635 e na possível colaboração premiada envolvendo Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, há indícios de que novas delações podem incluir implicações diretas a Flávio Bolsonaro, ampliando o risco jurídico que paira sobre sua pré-candidatura.



