Em um dos pontos mais delicados da operação de desdobramento das investigações sobre corrupção e financiamento irregular no país, o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, proprietário da "Entre Investimentos", formalizou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um acordo de delação premiada que passou a integrar o exame do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, com prazo estipulado para apreciação da homologação na próxima semana. O acordo envolve alegações de que Freixo Júnior teria entregue malas contendo dinheiro vivo a emissários do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com recursos destinados ao patrocínio do filme "Dark Horse", produção audiovisual sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, financiada por Flávio Bolsonaro por meio da empresa Mastercard Brasil. A delação foi protocolada com a exigência de comprovar sua espontaneidade, e um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça deve ouvir o delator na terça-feira (8/9) para confirmar se a colaboração ocorreu de forma voluntária e sem coação.
Contexto Estratégico e Desdobramentos da Delação
A apuração conduzida pela PGR, sob coordenação do procurador-geral Deltan Dallagnol, revelou que o empresário mineiro Freixo Júnior reconheceu, em documento assinado sob compromisso de veracidade, sua participação direta no fluxo de recursos oriundos do Banco Master, canalizado para o financiamento do filme "Dark Horse", cujo roteiro dramatiza a trajetória política de Jair Bolsonaro. Segundo relatos colhidos pela coluna, Freixo afirmou ter acesso a gravações visuais que registram a entrega das malas por seus emissários ao representante do cineasta e produtor cultural ligado ao núcleo familiar de Flávio Bolsonaro, indicando que o valor total transferido ultrapassou R$ 3 milhões, parte substancialmente vinculada ao orçamento do longa-metragem em questão. A denúncia ampliou-se para incluir alegações de que recursos estavam sendo redirecionados também para intermediários políticos próximos ao governo anterior.
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