Na manhã de 7 de outubro, a Polícia Federal deflagrou a operação Magen, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa que operava na Zona Norte do Rio de Janeiro, envolvendo agentes públicos e o Terceiro Comando Puro (TCP) na comercialização ilegal de armas, usura e lavagem de capitais, movimentando mais de R$ 100 milhões ao longo de quatro anos.
Contexto Institucional e Estrutura Criminal Investigada
As investigações conduzidas pelo Grupo de Investigações Sensíveis (Gise) e pelo Gaesf revelaram que o grupo criminoso contava com a colaboração de agentes da segurança pública — incluindo um policial civil, um militar da ativa e ex-policiais — que tinham acesso funcional a sistemas restritos da Administração Pública, como o SIGA e o SIAFI, para obter dados sigilosos sobre mandados em aberto, alvos de diligências e registros veiculares. Essas informações eram repassadas aos líderes da quadrilha para evitar a repressão e facilitar atividades ilícitas como a venda clandestina de fuzis de uso restrito, revólveres, pistolas, carregadores e munições. Em uma operação coordenada, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão em bairros como Barra da Tijuca, Copacabana, Parada de Lucas e Vila da Penha, além dos municípios fluminenses de Nova Iguaçu, Angra dos Reis, Mesquita, Nilópolis e Seropédica.
O esquema era estruturado em um núcleo dedicado à aquisição, transporte e revenda clandestina de armamentos, com movimentações financeiras complexas que integravam recursos ao sistema formal por meio de empresas de fachada e contas pessoais. A PF constatou que os envolvidos movimentaram mais de R$ 100 milhões em quatro anos, valor incompatível com as rendas declaradas, configurando lavagem de capitais. Além disso, o grupo praticava usura e explorava dados sensíveis da segurança pública para extorsão e favorecimento operacional ao TCP.
Mais de R$ 100 milhões foram movimentados em quatro anos por uma quadrilha que contava com apoio interno da segurança pública para comercializar armas e lavar recursos do Terceiro Comando Puro.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos do Caso
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) formalizou denúncia contra os investigados pelos crimes de organização criminosa armada, comércio ilegal de armas e munições, violação de sigilo funcional, usura e lavagem de capitais. O s acusados respondem em regime preventivo ou responderão à prisão preventiva após decisão judicial. Além dos cinco presos preventivamente, dois suspeitos seguem foragidos, dentre eles Álvaro Malaquias Santa Rosa (Peixão), que integra a rede criminosa com histórico de envolvimento em atividades paralelas ao TCP.
As autoridades destacam que a operação visa desmontar não apenas a estrutura financeira e armada da quadrilha, mas também os canais de vazamento de dados sensíveis que comprometem a eficiência das ações policiais. O inquérito segue sob sigilo para preservar a integridade da investigação. O s próximos passos incluem a apreensão completa dos bens apreendidos, o indiciamento dos réus no sistema penitenciário federal e a continuidade das apurações sobre possíveis redes superiores vinculadas ao crime organizado.



